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Olhando Para Dentro (notas)

Olhando Para Dentro 1930-1960 (Bruno Cardoso Reis) (Em História Política Contemporânea, Portugal 1808-2000, Maphre - nota...

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domingo, 20 de novembro de 2016

O desencanto alastra!

 
 
Egon Schiele, Agonia, 1912

António Barreto (o sociólogo, meu homónimo) em Jacarandá:

"Criámos uma sociedade de direitos sem mérito, de garantias sem esforço e de privilégios sem valor. Dissemos a todos que podiam aspirar a tudo, à gratuitidade, à assistência, à estabilidade vitalícia, a toda a educação, cultura e ciência e criámos classes médias prontas para tudo, desde que o consumo seja ilimitado e o crédito infinito. Fomentámos a substituição da família pela escola. Demos à política o direito de tudo dominar, a economia, a cultura, a ciência e a moral."
http://o-jacaranda.blogspot.pt/2016/11/sem-emenda-o-mundo-que-criamos.html

sábado, 19 de novembro de 2016

Do Capitalismo (X)


 
Henri Matisse - Trois Odalisques, 1928-29.
 
O movimento das enclosores intensifica-se no século XVIII pela ação do Parlamento, em especial a partir de 1760, deixando desamparados os squaters e os pequenos camponeses, relegando-os à miséria e a reserva de mão de obra, decisiva para o desenvolvimento das atividades mineira e manufatureira. Com a propriedade da terra concentrada na aristocracia e grandes proprietários rurais e sob a liderança de Lord Twonshend inicia-se a modernização da agricultura - com secagem de pântanos, novos métodos de cultivo, adoção de charruas de ferro e rotação de culturas - e da criação de gado - cruzamento e seleção de raças. 

A escassez de madeira e os baixos custos do transporte, propiciam a expansão da produção de carvão de coque - hulha branca e negra - dos 2,5 milhões de toneladas até aos 10 milhões, em todo o século XVIII; dois terços da produção europeia. Hulha branca e negra sucedem à energia hídrica. Expande-se o salariado, exceto na Escócia, onde os operários, na mina ou na salina, têm o estatuto de servos, usando coleiras com o nome do proprietário gravado. 

Um turbilhão de sucessivas inovações tecnológicas percorreu todo o século XVIII, alterando os métodos de produção manufatureira. As máquinas de fiar e de tecer tornaram-se mais eficientes, desenvolvem-se novos métodos de tratamento de tecidos, como o branqueamento e a tinturaria, aperfeiçoou-se a fundição do ferro e do aço, criaram-se novas ferramentas e utensílios domésticos, fabricam-se carris de ferro potenciando a exploração das minas e permitindo o desenvolvimento do caminhos de ferro, a construção de pontes e barcos, inventou-se a máquina a vapor de simples efeito adotando-a para acionamento das bombas de esgoto nas minas, das máquinas de fiar e tecer e das carruagens usadas nos caminhos de ferro. Desenvolvem-se as indústrias da produção de papel, oficinas de serração e de trabalhos em madeira, altos fornos e fundições. Da produção dispersa em que o mercador-fabricante distribuía as matérias- primas aos camponeses artesãos e a fabricantes intermédios - que as redistribuíam à sua rede de artesãos -, passou-se à produção em fábrica, onde, ao contrário dos artesãos independentes, os operários - maioritariamente crianças a cargo das paróquias -, mas também mulheres, ex-camponeses desenraizados e indigentes - são agora operários sujeitos a uma disciplina rígida de produção. As revoltas sociais sucedem-se, primeiro dos artesãos, entre o desemprego e a perda de autonomia, depois dos operários sujeitos a violentas condições de trabalho.  

Na transição da produção para o capitalismo em Inglaterra, o Estado adota o mercantilismo - com medidas protecionistas, atribuindo privilégios e monopólios -, apoia politicamente e militarmente a expansão comercial e colonial, controlando os pobres, proibindo alianças operárias e reprimindo violentamente as suas revoltas - condenando à pena de morte os autores da destruição de máquinas ou edifícios.  

No centro das múltiplas e heterogéneas transformações que constituíram, a, posteriormente designada Revolução Industrial, define-se a nova burguesia, constituída por aristocratas, envolvidos no comércio, na agricultura ou na exploração mineira, grandes mercadores ou financeiros, adquirindo terras, mercadores construindo fábricas, fabricantes e negociantes, transformando-se em banqueiros, homens de leis, notáveis locais, rendeiros abastados, clérigos e académicos. Detentores exclusivos do direito de voto, os novos burgueses - quatrocentos e cinquenta mil - impõem os seus interesses ao Parlamento conduzindo a política britânica à defesa do seu comércio.
 
(Síntese livre de História do Capitalismo de Michele Beaud)

domingo, 13 de novembro de 2016

Mundialistas, Oportunistas e Traidores (a propósito do 25 de Abril)



Heróis ou farsantes?

   Do extraordinário Blogue "Macua de Moçambique"de que junto o link,  respiguei os textos em baixo.

Trata de explicar as verdadeiras causas de 25 de Abril, que terão sido gizadas no final da II Guerra Mundial entre Roosvelt e Estaline; em que aquele prometia entregar as colónias portuguesas, mediante uma compensação financeira a Portugal, como contrapartida da cessação da interferência da União Soviética na sociedade americana. Rotchild, Rockfeller e Oppenheimer, teriam gizado um plano de unificação da áfrica austral para garantia da exclusividade de exploração petrolifera da Gulf Oil, propriedade de Rockfeller. O texto dá ainda conta do envolvimento de; EUA, URSS, CUBA, RFA, CEE, PS (Ação Socialista), PCP, MPLA, FRELIMO, PAIGC, D. António Ferreira Gomes, Vaticano, Grupo Bilderberg, Vasco Gonçalves, Melo Antunues, Franco Charais, Costa Brás e outros. 

No que me diz respeito, deveria constituir-se um Tribunal especial para julgar todo este processo, avaliar e condenar os Traidores de Portugal e dos povos das ex-colónias que vivem na miséria, carentes dos mais básicos meios de salubridade, subsistência e segurança, contrastando com a opulência dos  "libertadores" e seus herdeiros, sem que tal provoque a indignação e a ira dos defensores da emancipação dos povos.

Não, não encomendemos ossanas pelo 25 de Abril; glória de traidores e conforto de ingénuos.


"Em 1941, Franklim Delano Roosevelt endereçou uma carta ao Kremlin (carta que o Le Figaro publicou em 7/2/51) onde, a dado passo, afirmava: «... quanto à África, será preciso dar à Espanha e a Portugal compensações pela renúncia dos seus territórios ultramarinos, para um melhor equilíbrio mundial.
Os Estados Unidos instalar‑se‑ão aí por direito de conquista e reclamarão inevitavelmente alguns pontos vitais para a zona de tutela americana. Será mais do que justo. Queira transmitir a Estaline, meu caro senhor Zabrusky, que, para o bem geral e para o aniquilamento de Reich, lhe cederemos as colónia africanas se ele refrear a sua propaganda na América e cessar a interferência nos meios liberais.»
Porquê Portugal e as suas províncias ultramarinas? Terá sido apenas mais um Yalta?"   

"A revolução do 25 de Abril não foi uma revolta de povo contra a ditadura nem contra uma guerra colonial perdida. Foi sim mais uma vitória da fria estratégia dos mundialis­tas, que teve o seu epílogo numa madrugada de Abril mas que começara muito antes, com a primavera da marcelice e a consequente assalto ao poder da incontável caterva de pu­lhas, bandidos e com alguns inocentes úteis à mistura."
Franco Vale

In Último Reduto, n.º 6, 1984, págs. 8/9

Aqui estão os links para o fantástico "Macua de Moçambique" e para o "NONAS", de onde foi extraído o texto original.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Ai democracia!

  

   Das eleições americanas em curso colhe-se uma sensação de inapelável decadência em direção a um qualquer holocausto. Uma qualquer doença social leva os cidadãos a apoiar candidatos, manifestamente ineptos, ao cargo supremo do país! O mundo assiste estupefacto e amedrontado!

   A democracia, constituindo na sua essência, o melhor sistema de prevenção da guerra e de promoção do progresso económico e social, caracterizada pela tolerância, pela transparência, pela dispersão e independência dos vários poderes, pela liberdade de expressão, pelo confronto político e debate permanente e pelo sufrágio universal, em alguns casos, como nos EUA, parece ter-se transformado em algo diferente; uma espécie de caricatura em que os seus principais atores, os partidos políticos, adotam um comportamento tribal, derramando intolerância, ódio e demagogia sobre os cidadãos; em que estes optam pelo seguidismo "caudilhista", por preguiça, cansaço, ou ingenuidade, deixando cair o bem maior do regime democrático; o espírito crítico ativo.

   A figura grotesca de Trump propiciou aos adeptos adversários uma plêiade de insultos indecorosos denunciadores da falta de argumentação política e medo, resultante da consciência de fragilidades próprias. Por muito caricato que seja, um candidato que faz fortuna por si próprio e que tem o apoio de metade da população deve suscitar respeito; algo terá de que o povo carece e não reconhece nos outros.

   Isto apesar dos apoios de peso à causa democrata, o mais relevante dos quais o do próprio Presidente Obama! É desonesto! O Presidente deveria manter-se neutro deixando ao povo soberano a responsabilidade da escolha. Intervindo a favor de um candidato revela falta de confiança nos eleitores e  desconsideração pelas regras democráticas.

   Aconteça o que acontecer, Obama é o grande derrotado destas eleições; os apoiantes de Trump assim o confirmam. O estilo confiante de Obama, que a tudo prometia soluções, revelou-se efémero e vazio; o seu programa de saúde ameaça estiolar as contas públicas, o endividamento continua estratosférico, a economia tarda em "arrancar", o seu projeto geoestratégico para o médio oriente revela-se desastroso e o seu contributo na antecipação das metas do Protocolo de Quioto é deplorável.

   Com efeito, a guerra na Síria, tal como a da Líbia, desde o início que tem o dedo de Obama, apostado em afastar a ditadura de Bashar Al Assad, aliado histórico russo,  país este com o qual disputa a influência política na zona dada a sua relevância energética, arrastando a Europa numa aventura que a pode desintegrar. O que talvez seja do seu interesse. E do seu inimigo Putin. Obama, nada resolveu no médio Oriente; as anunciadas primaveras mais se revelaram tormentosos invernos.

   O prometido encerramento de Guantánamo continua adiado, o que não espanta num país que pratica a pena de morte e que, ao contrário de todos os outros, está dispensado de responder no Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra. A suposta humanidade de Obama não lhe permitiu aperceber-se das barbaridades que se praticam no país a que preside e pôr-lhes termo.

   Em matéria climática, está prestes a conseguir antecipar as metas definidas no Protocolo de Quioto, tornando-se cúmplice do que constitui uma espécie de 3º Acto Colonial, em que, a troco de cem mil milhões de dólares anuais, os países pobres prometem abdicar do seu desenvolvimento, aceitando as diretivas e a tecnologia dos países mais avançados. Precisamente os mais ativos no combate ao "holocausto" ambiental. E os mais interessados.

   Um dos grandes sucessos do seu consulado; as inovações tecnológicas, que multiplicaram as reservas energéticas do país: o gás de xisto, o gás natural e o petróleo, devem-se, exclusivamente, aos operadores privados, que inverteram a posição dos EUA no mercado energético mundial, razão da baixa dos preços destas "comodities". Quanto ao Governo Federal,  incrementou a aposta nas energia verdes, nomeadamente na eólica, ignorando os nefastos efeitos que provoca no mundo animal, no ambiente e no bolso dos contribuintes.

   Trump representa os americanos que se sentem ameaçados pelo galopante aumento de imigração não integrável e hostil, transformador da tradição cultural do país, cansados de intermináveis guerras e receosos da sua segurança.

   Hillary Clinton,  representa a imutabilidade do "sistema", a dissimulação, o nepotismo e o recorrente contorcionismo político.

   Por cá, só fugazmente, a comunicação social, se debruçou sobre o conteúdo dos dois projetos! Na maior parte dos casos, limitaram-se a relatar as excentricidades e as picardias de mau gosto.

   Tudo se decidirá hoje. Finalmente!

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

De trapalhada em trapalhada!

      

   As peripécias que se têm verificado em torno da nova administração da Caixa Geral de Depósitos, revelam, mais uma vez, o estado de insanidade a que a governação do país chegou! A CGD é um instrumento fundamental de estabilização e funcionamento do mercado financeiro e da economia interna, atualmente fragilizada, devido aos sucessivos "disparates" cometidos ao longo dos anos mais recentes. Aprovada a recapitalização, num processo controverso e demorado, a nova administração deveria ter entrado em funções de imediato, com uma estratégia bem definida de reestruturação interna e de desenvolvimento do negócio. Não está! 

   O lamentável episódio do momento, a declaração de rendimentos, que até já mereceu a intervenção do Presidente da República - valha-nos Deus -, foi precedido por uma saraivada de tiros nos pés do Governo; ele foi o aumento do número de administradores; ele foi o desbloqueamento do teto salarial dos respetivos cargos; ele foi o "puxão de orelhas" do BCE, que exigiu formação técnica a alguns deles; ele foram os obstáculos ao escrutínio da entidade, ele foram as dúvidas em torno das necessidades de financiamento; e agora o indecoroso braço de ferro entre o indigitado Presidente do Conselho de Administração e o Estado de Direito! Mil "boas" razões que possam existir para todo este alvoroço, o cidadão comum, atribui-o à incompetência e, ou, a manobras obscuras de manipulação; seja associadas à possibilidade de desorçamentação de despesa pública, seja para fins obscuros e venais.  Toda a sucessão de desgraças que se tem abatido sobre os contribuintes resultantes da falência do Estado e do o sistema bancário, o justificam.

   Compreende-se e louva-se que se procurem os profissionais com provas dadas no ramo; percebe-se que o BPI, pelo seu desempenho nos últimos anos, seja uma excelente escola de administração; e também se entende que tenha sido necessário oferecer condições ao nível do setor privado ao  profissional em causa. Mas não se aceita que o Primeiro-Ministro tenha subrestimado a sua capacidade, e do seu Governo, de alterar as leis aplicáveis substimando o papel dos outros órgãos de soberania e da opinião pública. E isso revela um fraco entendimento da natureza da Democracia, dispensável, quarenta e tal anos depois do afastamento do Antigo Regime, que alimenta a desconfiança dos cidadãos e dos agentes económicos.

   Noutro contexto, parece estarmos perante mais um caso de "homem providencial", tão característico da cultura portuguesa, quais Marquês de Pombal, Salazar, Cavaco Silva ou José Sócrates. Creio mesmo que, António Costa, se julga, ele próprio, "o homem providencial" e essa é mais uma reminiscência cultural que parecemos incapazes de erradicar dos nossos hábitos. Na verdade, grande parte dos cidadãos, continua a desejar essa figura "sebastiânica", essa espécie de "super homem"  capaz de entender as necessidades de cada um e de as satisfazer. Talvez seja este o maior drama da frágil democracia portuguesa.