Nuno Gonçalo Monteiro citando Mouzinho da Silveira em “História Social Contemporânea”
Peniche, 14 de Setembro de 2020
António Barreto
Olhando Para Dentro 1930-1960 (Bruno Cardoso Reis) (Em História Política Contemporânea, Portugal 1808-2000, Maphre - nota...
Nuno Gonçalo Monteiro citando Mouzinho da Silveira em “História Social Contemporânea”
Peniche, 14 de Setembro de 2020
António Barreto
Pobreza
infantil na Alemanha
NOVAS ESTIMATIVAS
PUBLICADAS:
4,4 milhões de
crianças na Alemanha afetadas pela pobreza
É "um sinal de pobreza para um país rico", enfatizou a Associação
Alemã de Proteção à Criança após a publicação do relatório.
de dpa
22 de agosto de 2018, 16:34
BERLIN | De acordo com estimativas da Associação Alemã de Proteção à
Criança (DKSB), cerca de 4,4 milhões de crianças na Alemanha são afetadas pela
pobreza - cerca de 1,4 milhões a mais do que se pensava anteriormente. Esta é
uma "acusação de um país rico", sublinhou a associação nesta
quarta-feira, que pediu ao governo federal para atuar com mais determinação
contra a pobreza infantil. Seus planos, por exemplo, de aumentar a pensão por
filho são "completamente inadequados".
Excesso de trabalho e
vergonha
A razão para os números elevados é, portanto, que muitas famílias não fazem
uso dos benefícios do Estado, ou seja, não são contabilizados nas estatísticas.
“Frequentemente é porque os pais estão sobrecarregados com os processos
burocráticos ou simplesmente têm vergonha deles”, disse o presidente do DKSB,
Heinz Hilgers. O governo e as autoridades também confiam deliberadamente no
fator de dissuasão da burocracia. “Os métodos de ocultação dos ministérios
funcionam bem”, disse Hilgers.
O governo federal deve, portanto, finalmente, agir e enfrentar a reforma do
abono de família, exigiu a presidente dos Verdes, Annalena Baerbock. “Além do
aumento, isso inclui o pagamento automático, para que a ajuda chegue onde é
necessária: com os filhos”. A presidente da associação social VdK Germany, Verena
Bentele, disse: "Apelamos ao governo federal para apoiar aqueles que são o
nosso futuro de uma forma direcionada e consistente - sem ses ou mas".
Os números do Schutzbund referem-se, entre outras coisas, à resposta do
governo federal a um pequeno pedido dos Verdes em 18 de junho de 2018. Os
chamados benefícios complementares de acordo com Hartz IV são estimados em
apenas 50% dos que a eles têm direito. Só isso afeta cerca de 850.000 crianças
menores de 18 anos.
"Shame on
Society"
A líder de esquerda Katja Kipping considerou os números deprimentes e falou
de uma "vergonha para a sociedade". “A luta contra a pobreza infantil
deve finalmente ter prioridade absoluta”, apelou Kipping à coligação
governamental formada pelo Sindicato e pelo SPD. O presidente do grupo
parlamentar de esquerda, Dietmar Bartsch, criticou: “É absolutamente cínico
reclamar da escassez de trabalhadores qualificados por um lado e pelo outro,
permitir que as crianças não tenham participação na sociedade. ”As medidas tomadas
pelo governo federal no acordo de coligação são totalmente inadequadas.
O presidente da DKSB, Hilgers, disse: "Se somarmos tudo, chegamos a
uma cifra conservadora de 1,4 milhão de crianças. Todas essas crianças não são
oficialmente pobres, mas estão abaixo do nosso padrão de bem-estar". No
futuro, o DKSB apela para a introdução de um benefício básico para crianças,
simples e não burocrático.
- Fonte: https://www.shz.de/20788107 © 2020
Peniche, 05 de Setembro de 2020
António Barreto
O Equívoco do 25 de Abril
(Sanches Osório)
José Eduardo Sanches Osório, Oficial de Estado-maior com a patente de Major,
formado na Academia Militar e licenciado em Engenharia Civil pelo IST, foi um
dos primeiros oficiais a aderir ao Movimento dos Capitães. Diretor Geral de Informação
do 1º Governo Provisório e Ministro de Comunicação Social do 2º Governo
Provisório demitiu-se do Governo e do Exército após a resignação do General
Spínola, na sequência do 28 de Setembro.
Suspenso e proibido de concorrer a eleições, pelo MFA, o partido da
Democracia Cristã, do qual era Secretário-geral, com mandato de captura e
ameaçado de morte, Sanches Osório logrou escapar, com a mulher e quatro filhos,
exilando-se em Paris onde frequentou a Sorbonne. Apoiante de Spínola, conspirou
no âmbito do MDLP (Movimento Democrático de Libertação de Portugal), durante o
PREC, com a finalidade de travar o rumo político de Portugal, conduzido pelo
Partido Comunista, para uma ditadura socialista. Sanches Osório regressou a
Portugal em 1979 a convite do CDS, pelo qual foi eleito deputado, tendo-se
demitido por divergências relacionadas com a homenagem a Maria Palla - mãe do
atual Primeiro-Ministro -, proposta no Parlamento pelo PC, que apoiava. Foi
condecorado em 1983 com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, com Mário Soares, Primeiro-Ministro
e Ramalho Eanes, Presidente da República.
Foi no exílio que Sanches Osório escreveu “O Equívoco do 25 de Abril”,
com o propósito de alertar os portugueses para a adulteração política dos
objetivos do Movimento dos Capitães. Estes, inicialmente mobilizados para a
resolução de problemas de natureza corporativa, salarial e de carreira, sentindo-se
em dívida com a Nação pela Revolução do 28 de Maio, que proporcionou a
instauração do Estado Novo, decidiram-se pelo derrube do regime e criação de
condições para o estabelecimento duma democracia pluralista. Segundo o seu
entendimento, o problema da Guerra Colonial só poderia ser resolvido suscitando
amplo debate na sociedade portuguesa em ambiente democrático, tal como a Justiça
social e a liberdade que ambicionavam. Reformas de fundo antes de eleições
livres e do estabelecimento da nova ordem constitucional estavam interditas
pelo programa do MFA.
Foi aqui que se verificaram as cisões entre militares e entre políticos;
os moderados davam prioridade à urgência da legitimação eleitoral do novo
regime enquanto os extremistas, militantes ou ativistas comunistas, civis e
militares, reivindicavam a legitimidade revolucionária para o estabelecimento
da nova ordem social, económica e política, e sobretudo, a entrega
incondicional das colónias.
Durante o PREC (Período Revolucionário em Curso), em que o poder caíu na
rua e durou cerca de um ano, destruiu-se, quase integralmente, a estrutura
económica de Portugal, metrópole e colónias, através de saneamentos, prisões
arbitrárias - sem culpa formada nem defesa, nem julgamento -, ocupações empresas,
terras e casas, a mando do aparelho comunista - com destaque do MDP/CDE, uma
das muitas faces do PC, do COPCON comandado por Otelo coadjuvado pelo PRP de
Isabel do Carmo, pelo MFA e por alguns regimentos do Exército de que se
destacou o de Vendas Novas e o da PM onde Mário Tomé fazia serviço - e do
abandono dos portugueses de além-mar às mãos dos guerrilheiros.
O 25 de Novembro veio pôr fim a esta insanidade, já com o país falido e
a última colónia - Angola - entregue a um partido de inspiração comunista, tal
como ocorrera nas restantes, incluindo Timor.
Instituída a normalidade política com a eleição dos Deputados
constituintes em 25 de Abril de 1975 e as eleições legislativas de 25 de Abril
de 1976, permanece a dúvida acerca da natureza do êxito do 25 de Novembro.
Conseguido o propósito primordial dos comunistas; entrega incondicional
das colónias, garantia de aceitação do PC no novo regime e afastamento dos
partidos conservadores - Partido do Progresso, de Fernando Pacheco Amorim, e
Partido da Democracia Cristã, de Sanches Osório - do processo eleitoral, dos quais
se receava forte adesão popular, o Partido Comunista moderou a sua ação,
nomeadamente desmobilizando, ou não ativando, o forte contingente militar que
de que dispunha em todas as armas, capaz de inverter o desfecho da crise.
O interesse deste livro reside no facto de se tratar do testemunho direto de um dos principais agentes do 25 de Abril, Sanches Osório, e de, através dele, se perceber quem, efetivamente, defendeu a liberdade política, quem, instalando o caos, tudo fez para instituir uma ditadura de índole socialista e quem colaborou neste propósito fazendo-se passar por democrata.
Peniche, 30 de Agosto de 2020
António Barreto
Os recursos alimentares da Terra
Desde há uns tempos anda por aí uma ONG - mais uma - a amedrontar as
populações com o sobre consumo dos recursos da Terra, indicando, com precisão
newtoniana, a data de esgotamento dos mesmos a cada ano. Mais coisa menos
coisa, a população consome os recursos anuais em seis meses. O dobro do que
deveria para garantir a sustentabilidade da produção global.
Ora, se é verdade que os recursos são finitos também é verdade que,
graças à ciência, à tecnologia e ao progresso económico e social global, podem
ser maximizados até um nível indeterminado. Por outro lado o crescimento do
consumo está limitado à estabilização demográfica, que, de acordo com a teoria
da Transição Demográfica, acabará por ocorrer em função da industrialização dos
países subdesenvolvidos e do Terceiro Mundo, nomeadamente, América latina, Àsia
e África. Segundo os demógrafos e a ONU, tal ocorrerá por volta de 2050 aos 7,5
biliões ou, até aos 11 biliões de habitantes, dependendo da velocidade de
progressão económica e social daqueles países. Por outro lado a própria FAO
refere que a produção alimentar mundial é suficiente para alimentar todos os
habitantes do planeta. Assim, o problema não reside na produção de alimentos,
mas na distribuição dos mesmos. É na dificuldade de acesso das populações aos
alimentos que deve concentrar-se o combate à fome.
Sendo a produção alimentar ocidental, excendentária, que sentido faz
incentivar as respetivas populações à redução do consumo? Por outro lado, é
totalmente despropositado promover a redução de consumo junto de populações que
dele carecem para terem uma vida digna! Neste contexto, que sentido faz esta
militância sistemática pelo decrescimento do consumo de bens alimentares?
Pelo contrário, a erradicação da fome implica mais consumo das
populações pobres, que, mais coisa menos coisa, deverá rondar os 3 biliões de
pessoas - cerca de 3,4 biliões, segundo dados do Banco Mundial de 2018 -, num
contexto de redução continuada - de 1990 a 2015 a redução da taxa de população
em pobreza extrema (rendimento diário abaixo dos 1,9 USD) foi de cerca de 10 %
(grosso modo, de 36 % para 26 %). O Banco Mundial planeia erradicar a pobreza
extrema no mundo até 2030.
Este combate implica a promoção da educação das populações, com especial
foco nas novas gerações, sobretudo femininas, o investimento em infraestruturas
básicas - saneamento, abastecimento de água potável - o acesso à energia
elétrica e a cuidados de saúde primários, o investimento na produção agropecuária
local, etc. Para tal é imperioso apoiar e escrutinar, política e economicamente,
em contexto de concertação internacional, os governos locais dos países pobres,
assegurando o efetivo progresso económico e social das respetivas populações.
Esta insistência na redução
global do consumo alimentar insere-se non plano do decrescimento económico
mundial em consequência da teoria do Aquecimento Global de origem
antropogénica. Redução de emissões de CO2 resultante da atividade
humana, com redução da atividade industrial, agropecuária, florestal e
energética. Uma bandeira do lóbi ecologista apadrinhada desde há muito pelos
movimentos de esquerda empenhados em fazer desta uma causa sua.
Não estranha esta estratégia considerando que a pressiona o modelo de
desenvolvimento ocidental, capitalista, objeto estratégico das esquerdas desde
os tempos da 1ª Internacional (1864). Porém, como encará-la relativamente aos países
pobres? Como é possível, no âmbito de ideologia marxista, pedir, impor às
populações pobres redução do consumo de bens essenciais? É possível sim, num
contexto de instrumentalização da pobreza como arma de desestabilização económica,
demográfica e política do Ocidente. É o que ocorre atualmente.
E é também neste contexto que se enquadra o mercado de carbono.
Definiram-se quotas de emissão, determinaram-se as emissões que cabem a cada
país, determinou-se um preço por tonelada de emissão e estabeleceu-se um
comércio. Os países com défice de quota, além de terem de investir na redução
de emissão, sob pena de pesadas sansões, podem comprar quota aos que dela têm
excesso dela. Na prática, os países desenvolvidos compram aos países pobres quota
de emissão. Aqueles garantem sobre estes o ascendente tecnológico que detêm
desde a Revolução Industrial. Estes, podem investir as correspondentes receitas
no progresso económico e social das respetivas populações, sendo que, ao
fazê-lo, comprometem a autonomia tecnológica futura cuja consequência se traduz
na redução da velocidade da criação de riqueza.
Redução do consumo supérfluo dos países desenvolvidos, sim.
Aumento
do consumo básico das populações pobres, sim, sim e sim.
Instrumentalização política da pobreza, não, não e não.
Peniche, 22 de Agosto de 2020
António Barreto
Anatomia de uma Revolução
A Reforma Agrária em
Portugal, 1974 – 1976
(António Barreto)
Esta obra de António Barreto é a síntese, em português, da sua tese de
doutoramento efetuada em 1984 na Universidade de Genebra, e foi elaborada com
base em investigações realizadas de 1979 a 1982 no Gabinete de Estudos Rurais
da Universidade Católica.
Vinculado a factos comprováveis, o livro “Anatomia de uma Revolução”
mostra as dinâmicas sociais e políticas que revolucionaram o mundo rural do
Alentejo, através das quais, o Partido Comunista assegurou a hegemonia política
na região que se prolongou até à atualidade.
Publicado em 1987 este livro é uma espécie de “livro maldito” dada a
forma algo misteriosa como se tornou inacessível ao público e ignorado pela
generalidade da crítica e comunicação social. Tal facto leva-nos a supor, à
semelhança do que sucedeu noutros casos - como no livro de Rui Mateus “Memórias
de um PS Desconhecido” - que há censura de facto em Portugal relativamente a
qualquer obra que se debruce sobre as vicissitudes do regime, e, ou, das
principais forças políticas que o compõem.
A iniciativa desta publicação, confirmada pelo autor, foi, sobretudo, da
historiadora Fátima Bonifácio, mas também de Maria Filomena Mónica e de Rui
Ramos, todos eles com obras relevantíssimas relacionadas com a história
política social e económica de Portugal.
A escrita simples e eficaz de António Barreto, associada ao tipo de
letra e qualidade do papel adotado pelo editor tornam a leitura fácil,
agradável e recomendável.
A Reforma Agrária no Alentejo,
mais propriamente, Alentejo e Ribatejo - Zona de Intervenção da Reforma
Agrária, ZIRA -, consistiu na ocupação de propriedades rurais por trabalhadores,
assalariados agrícolas e agricultores, organizados pelo Partido Comunista (PC),
incentivados pelo Governo e apoiados pelas Forças Armadas e GNR, com pretexto no
alegado absentismo e ineficiente utilização agrícola da terra.
Na sequência do 25 de Abril, do 28 de Setembro e do 11 de Março, o PC,
beneficiando da passividade e, ou, cumplicidade dos restantes partidos a braços
com as tarefas inerentes à sua própria organização interna, assume o controlo
do Movimento das Forças Armadas, da Junta de Salvação Nacional e do Governo -
primeiro Governo Provisório, de Vasco Gonçalves - ocupando ou controlando o
aparelho estatal, os organismos cruciais centrais, regionais e locais.
Revogada a constituição de 1933 e correspondentes atualizações, sustentando-se
nas novas estruturas do poder e na “legitimidade revolucionária”, a partir de
Lisboa, o PC destaca para o Alentejo membros do seu Comité Central e militantes
urbanos, os quais, juntamente com os escassos militantes locais e o aparelho do
Movimento Democrático Português/Comissão Democrática Eleitoral (MDP/CDE) -
movimento político supostamente independente mas na verdade controlado pelo PC
-, desenvolvem intensa atividade, desdobrando-se em reuniões, palestras,
comícios e manifestações, mobilizando as populações para as ocupações,
constituindo comissões, grupos de trabalho, sindicatos e, consumadas aquelas,
organizando as tristemente célebres Unidades Coletivas de Produção.
Apesar da instabilidade do operariado rural alentejano, caracterizado
pelos baixos salários e precariedade, resultante do predomínio dos
proprietários, beneficiários de relações privilegiadas com o poder cessante,
não havia conflitos sociais no Alentejo antes da Revolução dos cravos.
A adesão do proletariado rural tinha por motivação não o acesso à
propriedade da terra mas sim à estabilidade do emprego e do salário. Por outro
lado, a adesão inicial de alguns camponeses, pequenos proprietários, visava,
sobretudo, obter um pouco mais de terra para cultivo.
Os resultados dos Grupos de Trabalho constituídos para identificação das
terras abandonadas e mal cultivadas destinadas às ocupações, goraram as
espectativas dos revolucionários; toda a terra arável estava bem cultivada, com
exceção de alguns casos - onde as culturas não garantiam a melhor produtividade
- calculados pelos técnicos em cerca de 10 % da área total.
Ante a inesperada deceção foram desativados os grupos de trabalho e
definidos novos critérios de ocupação. Instituiu-se uma fórmula de cálculo por
pontos, mediante a qual seriam objeto de ocupação todas as terras com mais de
50 mil pontos.
Naquela fórmula entravam variáveis como a qualidade da terra, as
culturas instaladas, as alfaias e os equipamentos disponíveis em cada
propriedade. Foi assim que, como o próprio Ministro da Agricultura da época
explicitou publicamente, o objeto das ocupações deixou de ser as terras
abandonadas ou mal exploradas para ser as melhor equipadas e cultivadas,
constituindo um desincentivo ao investimento dos proprietários.
Impulsionada pelos sindicatos, comissões e grupos de trabalho
comunistas, a dinâmica do processo revolucionário não conhecia limites, estendendo-se
as ocupações a propriedades de qualquer dimensão, violando o princípio da
proteção da pequena propriedade tal como Álvaro Cunhal expressou publicamente.
Assim, foi alienado o apoio dos pequenos proprietários, os quais, subitamente,
se viram a braços com a necessidade de defender, pela força, as terras que
tinham granjeado ao longo dos anos com muito suor e privações.
Atabalhoadamente, sem qualquer apoio governamental ou partidário,
proprietários e pequenos agricultores, constituíram as Associações Livres de
Agricultores (ALA) e outras organizações, as quais, diga-se em abono da
verdade, não eram vistas nem achadas na regulamentação da atividade agrícola
promovida pelos sindicados e sancionada pelo Governo, como os Contratos
Coletivos de Trabalho. Estes, inicialmente de âmbito local, passaram a
rapidamente a regionais e nacionais, com um articulado totalmente decidido,
discricionariamente, pelos sindicatos comunistas, sem negociação ou qualquer
tipo de intervenção dos proprietários.
Os sindicatos investiram-se, nesta época, de poder institucional, implicitamente
reconhecido pelo MFA e pelo Governo, agindo como extensão do aparelho
governamental, legitimando ou não, o que entendessem adequado à Revolução
Agrária.
Foi neste âmbito que foi instaurado o emprego compulsivo, processo em
que os sindicatos comunistas impunham aos proprietários quotas de trabalhadores
de acordo com o seu próprio critério, baseado exclusivamente na disponibilidade
de mão-de-obra, dissociado das efetivas necessidades e possibilidades das
explorações.
Os conflitos motivados pela resistência dos proprietários, quando
ocorriam, eram dirimidos pela GNR e, ou Forças Armadas - entre as quais se
destacou o tristemente célebre Regimento de Vendas Novas cujos operacionais,
nas suas tarefas revolucionárias, chegaram a ornamentar-se com boinas
ilustradas com a figura do assassino Guevara - que, invariavelmente, tomavam o
partido dos trabalhadores.
Ocupadas as propriedades e
constituídas as UCP, estas foram autorizadas a apropriar-se do produto das
colheitas das sementeiras efetuadas pelos proprietários. Nos casos em que as
ocupações tivessem ocorrido após as colheitas, os organismos estatais
envolvidos no processo de comercialização, retinham o produto da respetiva venda
e entregavam-no aos sindicatos que, por sua vez, o disponibilizavam à
correspondente UCP.
Desapossados das suas terras e equipamentos, os proprietários, com a
cumplicidade ativa das estruturas governamentais, foram ainda vítimas do
confisco do produto das suas sementeiras. As reservas que o Governo lhes
prometera nunca lhes foram atribuídas. A alguns porém, aos que viviam
exclusivamente da atividade agrícola, foi atribuída uma pequena pensão a título
de sobrevivência.
Passada a euforia inicial, a falta de meios para pagamento de salários e
preparação das sementeiras, emergiu como travão natural às ocupações. O Governo,
além de incentivar e legalizar estas a
posteriori, passou a autorizar, com
garantia do Estado, o financiamento bancário das UCP. Esta decisão do 6º
Governo Provisório, liderado por Mário Soares, deu um impulso decisivo ao movimento
ocupacionista - que, rapidamente, ultrapassou o milhão de hectares -, paradoxalmente,
numa fase em que o PC começou a perder influência no aparelho estatal e no MFA.,
devido à oposição política, cada vez mais intensa, dos restantes partidos. O
Partido Socialista (PS), que desempenhou papel decisivo na instauração da
democracia, ficou indelevelmente associado à fase mais intensa das ocupações
decorrentes da reforma Agrária.
Instituída a Nova Ordem, as UCP, na sua grande maioria incapazes de
superar as dificuldades decorrentes da exploração, foram ficando pelo caminho,
insolventes, deixando ao Governo o ónus da liquidação das correspondentes
dívidas bancárias.
Ironicamente, o PC, historicamente defensor dos aumentos salariais dos
trabalhadores, passou a queixar-se dos elevados salários praticados pelos
escassos proprietários privados que sobreviveram às ocupações, alegando risco
de inviabilidade económica das UCP!
À resistência política, tardia, dos partidos moderados, PS, PPD e CDS, e
à oposição dos elementos, igualmente moderados, no seio do MFA, correspondeu
uma fortíssima oposição no terreno por parte dos agricultores, finalmente
agregados na Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP). Desdobrando-se em
centenas de comícios por todo o país, promovendo barragens nas vias principais,
de que ficou célebre a de Rio Maior, a CAP mobilizou o mundo rural e a
população civil em geral para a “meia” contrarrevolução que veio a culminar no
25 de Novembro de 1975.
A Constituição de 1976, apesar de elaborada sob coação das forças
comunistas e, por isso, eivada de referências de matriz socialista, inauguraram
o Novo Regime de direito democrático, designado por terceira República.
Há quem afirme que a verdadeira razão da origem do 25 de Novembro terá
sido a declaração de independência de Angola ocorrida em 11 de Novembro do
mesmo ano. Segundo os defensores desta tese, o prolongamento do período
revolucionário imposto pelo PC, recusando perentoriamente eleições, tinha por
objetivo garantir a entrega incondicional de todas as Colónias aos movimentos
de inspiração comunista, como, efetivamente, veio a ocorrer.
Garantido o objetivo principal o
PC deixou “correr o marfim” da Contra Revolução, aliviando a pressão interna a
troco da garantia de um lugar à mesa da democracia. Esta foi-lhe concedida
pelos vencedores do 25 de Novembro nas pessoas de Melo Antunes e Ramalho Eanes.
Um elevado preço que ainda hoje está a ser pago pelos portugueses,
consubstanciado no elevado endividamento e num pífio crescimento económico,
resultante, em grande parte, do crescimento desmesurado do aparelho estatal e
dos privilégios cumulativamente atribuídos ao funcionalismo público.
António Barreto foi Ministro da Agricultura do 1º Governo Constitucional
em 1977, e autor da famosa Lei Barreto que desagradou aos comunistas a ponto de
estes exigirem a sua demissão a Mário Soares a troco dos votos de que o PS
necessitava após o fracasso das negociações com o PSD.
No final deste processo em que foi destruído, quase completamente, o
aparelho produtivo nacional, gastas a quase totalidade das reservas do país,
sem acesso aos mercados financeiros, O Governo, insolvente perante uma inflação
galopante, acabou por pedir a intervenção do Fundo Monetário Internacional
(FMI) em 1977. O ciclo do “orgulhosamente sós”, como os “democratas”
classificam o regime de Salazar, estava, finalmente, concluído.
Autor de uma reforma agrária completamente forjada a partir das
estruturas militares e governamentais, o Partido Comunista conquistou a sua
base social de apoio que, mais coisa menos coisa, lhe confere, ainda hoje, a
escassa relevância social que detém e o desproporcionado poder corporativo que,
entretanto, adquiriu pela via sindical.
Um livro oportuno que, além de mostrar as vicissitudes da Reforma
Agrária aos mais novos e “refrescar” a memória dos menos novos, ilustra como a
convivência do Partido Socialista com a extrema-esquerda que hoje se verifica,
vem de muito longe. De facto, as cumplicidades dos membros fundadores do PS com
a extrema-esquerda é muito anterior a 74, nomeadamente, no exílio dourado em
Argel, em que aqueles alinhavam simultaneamente com os comunistas e com
Humberto Delgado, e na candidatura de Norton de Matos à Presidência da
República no longínquo ano de 1948 em que, Mário Soares, então militante
comunista, a mando do PC foi o Secretário-geral daquela candidatura encarregue
ainda de comunicar ao candidato a ordem de desistência emanada do Comité
Central.
O futuro constrói-se sobre os erros do passado.

António Barreto
Peniche, 16 de Agosto de 2020
António Barreto
A Rebelião das Massas
(Ortega e Gasset)
Prólogo para os franceses:
- A obra de caridade mais própria
do nosso tempo consiste em não publicar livros supérfluos.
(E a mais sensata: não os ler)
- A linguagem não permite ao
homem exprimir-se integralmente. É ilusório pensar o contrário. - A linguagem,
é, por essência, diálogo, e todas as outras formas do falar reduzem a potência
da sua eficácia.
- O costume dos intelectuais
falarem à Humanidade é a forma mais sublime e desprezível de demagogia. Foi
adotado por volta de 1750 por intelectuais destrambelhados, ignorantes dos seus
próprios limites, sem se darem conta de que o sacramento da palavra carece de
“mui delicada administração”.
- “Unde sapientia venit et quis est locus inteligentiae?” (“Sabeis de
algum lugar do mundo onde exista inteligência?”), perguntou Job aos
amigos, mercadores e viajantes que andaram pelo mundo. A difusão na Europa da
obra de Ortega e Gasset, mais que a
demonstração da universalização da palavra, é um sintoma da pavorosa e
asfixiante homogeneidade de problemas em que toda a Europa está a cair. O
confinamento de cada país, que proporcionava a possibilidade de “arejamento” de
ideias acedendo a outros com atmosferas mais desanuviadas, acabou. Todos os
países Europeus têm problemas idênticos e tal provoca uma sensação de asfixia
insuportável. (Este tema é também abordado por José Gil no seu livro, “Portugal
o Medo de Existir”).
- Desde Otão III - século XI -,
que a vivência dos europeus consistia em conviver entre si. As guerras que
travavam não eram mais do que guerras em família em que o vencedor nunca
aniquilava o vencido. Assemelhavam-se a guerras de emulação como a dos jovens
nas aldeias ou a disputa de partilhas pelos herdeiros. Carlos V disse de
Francisco I: “O meu primo Francisco e eu estamos completamente de acordo: os
dois queremos Milão”.
(Esta condição aplica-se
excecionalmente a portugueses e espanhóis; o cruzamento da população e as
disputas ao longo da história foram tais que nos permitem concluir que se trata
do mesmo povo. Talvez aqui radique a ideia do iberismo).
- Um dos erros mais graves do
pensamento moderno consiste em confundir sociedade com associação; ao contrário
da associação, a sociedade não se constitui por um acordo de vontades. Esta
resulta da convivência entre pessoas, precede aquela, segrega costumes, usos,
língua, direito e poder político. Aquela regula aspetos dessa convivência. O
direito não tem eficácia na regulação entre pessoas sem convivência efetiva
prévia.
- A História da Europa mostra que
a unidade da sociedade europeia, longe de ser um ideal, é um facto de muito
antiga quotidianidade. A ameaça chinesa ou islâmica serão suficientes para
despoletar o processo constitutivo dos Estados Unidos da Europa.
(De facto foi a necessidade de
prevenir conflitos bélicos entre europeus que despoletou esse processo com a
entrada em vigor, em 1958, do Tratado de Roma entre França, Alemanha Ocidental,
Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo).
Longe de ser uma fantasia a unidade da Europa é uma realidade. Fantasia
é a crença de que França, Alemanha, Itália ou Espanha são realidades
substantivas e independentes. Todos os povos da Europa vivem submetidos a um
poder público, réplica da ciência mecânica, designado por “equilíbrio europeu”
ou “balance of Power”; “the great secret of modern politics”
segundo Robertson - historiador do
século XVIII -, “une nation composée de
plusiers”, segundo Montesqieu, “la grand famille continentale”, segundo Balzac.
No equilíbrio resultante da
pluralidade reside a unidade da Europa. Porém esta unidade é ameaçada pelo
homem-massa; um tipo de homem caracterizado pelo esvaziamento de identidade que
se difundiu no continente europeu. Um homem sem história, sem memória; uma
carapaça constituída por meros idola fori,
pronto a fingir ser qualquer coisa, que só tem direitos, que não tem a nobreza
de reconhecer obrigações para si próprio - sine
nobilitate -, snob. Um homem
fechado ao liberalismo, pronto a prescindir da liberdade, da qualidade da
Europa sobre a qual se funda a autenticidade dos povos europeus.
A falta de responsabilidade intelectual dos intelectuais europeus, desde
1750, é a causa do desnorte europeu atual. Os doutrinários Guizot, Royer Collard e Buster Keaton são exceções.
O estado de liberdade resulta de uma pluralidade de forças que resistem
mutuamente.
O passado é o natural do homem
que se revela e sempre regressa. Não é para ser negado mas para ser integrado.
Os doutrinários apenas reconheciam ao homem os direitos que foram
aparecendo e consolidando-se ao longo da história - as liberdades, a
legitimidade, a magistratura, as capacidades - e não os do tipo metafísico que
resultavam de abstrações e irrealidades.
O
liberalismo individualista nasceu no século XVIII, inspirou parcialmente a
Revolução Francesa e extinguiu-se com ela.
O coletivismo nasceu no século XIX e tem origem nos escritos dos
super-reacionários De Bonald e De Maistre.
John Stuart Mill defendeu que a sobreposição do poder da sociedade
sobre o indivíduo, seja por via da opinião pública seja por via legislativa,
tenderá a aumentar, em consequência da compulsão do homem para impor aos outros
a sua opinião e os seus gostos enquanto detiver o poder, algo que, por sua vez,
tende a aumentar.
A vinculação do homem a uma ideologia política é uma imbecilidade, uma
forma de hemiplexia moral.
A política esvazia o homem de
solidão e intimidade, da sua ânsia de espiritualidade e conhecimento; o
politicismo integral é uma das técnicas usadas para o socializarem.
Definido o “homem-massa”, importa perceber, em primeiro lugar, se este
tipo de homem - que não está verdadeiramente aberto a nenhuma instância
superior - é reformável; se os graves defeitos que possui e que põem em causa a
sobrevivência do Ocidente podem ser corrigidos.
Em segundo lugar, se nas sociedades modernas há espaço de afirmação da
individualidade das novas gerações. Improvável, se não impossível. Limitado,
inexoravelmente pelo próximo, o jovem indivíduo acabará por abandonar as ideias
próprias da sua idade e adotar as propostas estandardizadas, necessariamente
obtidas através de processo coletivo, um processo de massas.
A
Europa assemelha-se a uma prisão sobrelotada onde cada prisioneiro tem de
mover-se sincronizado com todos os outros conforme regulamentado. Uma tal
eventualidade, a supressão do individualismo sob o qual se ergueu a Europa e
floresceu a humanidade, acarretará o seu fim, à semelhança da decadência do
Baixo-império.
Assumir a dificuldade da situação é a primeira condição para a reversão
da mesma, embora seja muito difícil salvá-la quando chegou a hora de cair sob a
mão dos demagogos, os grandes estranguladores de civilizações, como a grega e a
romana.
A demagogia é uma forma de
degeneração intelectual que apareceu em França por volta de 1750, irradiando
para todo o continente a ideia de que os grandes problemas humanos se resolvem
através da revolução. Revolução geral, segundo Leibniz; a vontade de transformar, subitamente, tudo e em todos os
géneros.
A aparente tradição cultural revolucionária da França constitui um
constrangimento para o enfrentamento dos seus problemas atuais. Apesar da
Grande Revolução, e de várias outras, sinistras ou ridículas, o certo é que a
França viveu quase todo o século (XIX) sob a tutela de regimes autoritários ou
contrarrevolucionários.
A “razão histórica” é o único método que permite menor probabilidade de
erro de previsão na evolução das sociedades humanas. O fracasso habitual das
revoluções reside na sobreposição da abstração de modelos de sociedade
imaginárias à realidade concreta das mesmas.
Contrariamente à astronomia e à química, os problemas humanos são
históricos, por isso de máxima concreção. A opinião pública francesa foi
tiranizada pela ascensão do seu racionalismo físico-matemático. Contemplando os
últimos cento e cinquenta anos da vida pública francesa (aproximadamente de
1780 a 1930, coincidente com a Revolução Industrial), constata-se que, os seus
geómetras, físicos e médicos falharam quase sempre nas suas previsões
políticas, enquanto os seus historiadores habitualmente acertaram.
Malebranche (padre filósofo
adepto de Descartes e Platão) rompeu com um amigo por ver, na sua mesa, um
livro de Tucídides(historiador grego
da Guerra do Peloponeso).
Decartes é o homem a quem a
Europa mais deve. Porém, três séculos de experiência racionalista mostram-nos
os seus limites; a raison cartesiana,
limitada à matemática, física e biologia, que proporcionou triunfos jamais
sonhados sobre a natureza, revelou-se infrutífera nos assuntos humanos,
convidando à sua integração noutra razão mais radical, a “razão histórica”.
Esta mostra-nos a futilidade de
qualquer revolução geral, a inutilidade da súbita transformação de uma
sociedade para recomeçar de novo a história como pretendiam os confucionistas
de 89.
As revoluções, hipocritamente incontinentes nas promessas de direitos,
violaram sempre, pisaram, rasgaram o direito fundamental do homem, a definição
da sua substância: o direito à continuidade.
A única diferença radical entre a
história humana e a “história natural” é que aquela não pode nunca começar de
novo.
Segundo Kohler e outros, a
distinção entre o homem e o orangotango ou o tigre, não reside na inteligência,
mas na memória: enquanto a curta memória destes os condiciona a um recomeço
quotidiano, aqueles acumulam recordações do seu passado, partindo diariamente
de um patamar superior. O homem não é nunca o primeiro homem e a sua maior
riqueza, o seu maior tesouro, reside na memória dos seus erros o que lhe
permite não os cometer de novo.
Romper a continuidade com o passado, querer começar de novo, é descer
ao nível do orangotango.
“La continuité est un droit de
l’homme; elle est un hommage à tout ce qui le distingue de la bête”. Foi Dupont-White quem assim falou por volta
de 1860.
Exemplo de continuidade é a Inglaterra, onde os mais velhos “trambelhos”
da história, a coroa e o cetro, e o cerimonial da coroação, têm uma espécie de
poder mágico, simbólico, que consiste na afirmação coletiva do vínculo de um
povo a todo o seu passado. A determinadíssima função da monarquia inglesa, destituída
de poder material, palpável, é a de, com grande eficácia, simbolizar.
O povo inglês chegou ao porvir, em todas as ordens, quase sempre antes
de qualquer outro. Empenha-se em fazer-nos constar que o seu passado,
precisamente porque está passado, porque lhe passou a ele, continua a existir
para si.
Um
povo que é senhor dos seus séculos, que circula por todo o seu tempo, é um povo
de homens. Homens que continuam no seu ontem sem deixar de viver para o futuro
e no seu presente. E este é só a presença simultânea do passado e do porvir.
Aos geniais e pueris continentais tem cabido a passiva tarefa de os
observar e seguir numa espécie de perpétuo dandismo. (recordemos que a Revolução
Gloriosa precedeu a Revolução Francesa de 1789 em cerca de cem anos, com propósitos
idênticos).
Com as festas simbólicas da
coroação, a Inglaterra opõe, ao método revolucionário, o método da
continuidade, o único que pode evitar a patologia histórica das sociedades
humanas que consiste na luta, ilustre e perene, entre paralíticos e epiléticos.
Quanto à América, a esperança dos europeus de que a sua organização socioeconómica
erradicaria a praga das crises, revelou falta, ocasional embora, da sua maior
virtude, que consiste na cultura do sentido histórico. Longe de ser o porvir a
América era o passado remoto porque era primitivismo.
Isolar e caracterizar o homem médio,
que de tudo se vai apoderando, é o objeto deste estudo, e ainda, medir a sua
capacidade de continuar a civilização moderna e a sua adesão à cultura.
A anomalia representada pelo homem-massa é uma anomalia com que é
imperioso contar independentemente da atitude de cada um face à civilização e à
cultura.
Um ensaio de serenidade no meio da tormenta é o que o leitor francês
deve esperar deste estudo.
José Ortega e Gasset
Holanda, Maio de 1937
Peniche 2 de Agosto de 2020
António Barreto