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terça-feira, 9 de junho de 2026

Retornados, não. Abandonados, sim!

 

Retornados, não. Abandonados, sim!


Não sei quem teve a ideia de chamar retornados aos portugueses de África que vieram para Portugal por ocasião da independência das ex-colónias. Mas sei que a intenção era a de atenuar a tragédia que se estava a viver. A consciência da culpa e o medo da reação das populações aguçou o engenho aos descolonizadores, auto-convencidos do seu papel divino de libertadores dos povos oprimidos sem perceberem que os atiravam para ao braços do neocolonialismo.


Ora, retornado é alguém que regressa ao local de origem por sua livre vontade. E não foi isso que sucedeu! Vítimas de perseguição dos bandos de malfeitores, a quem os "bravos" do MFA e dos partidos de abril entregaram as províncias ultramarinas, os portugueses de África, ante a passividade das tropas portuguesas, que cruzavam os braços, indiferentes às barbaridades, de todo o tipo de que eram vítimas, foram obrigados a fugir, correndo mil perigos, para salvar a pele. Muitos ficaram pelo caminho, mortos, abusados e estropiados. Muitos eram nativos de África, nunca seriam retornados.


Por conseguinte, o termo mais apropriado para os classificar é o de escorraçados, ou de perseguidos, ou, ainda melhor: os abandonados!


Abandonados pelo país de Afonso Henriques, de D. Dinis, de D. João I, de D. João II, de D. Manuel, de D. Sebastião, de D, João IV e seguintes.


E desse feito juram orgulhar-se os seus autores!


E falam em "reparações" aos que os perseguiram, aterrorizaram, lhes confiscaram os bens e destruíram quase tudo o que foi construído ao longo dos séculos.


Quem aterrorizou, roubou e matou já cobrou as ditas "reparações"!


Para os abandonados do ultramar não há "reparações"! Reconhecer-lhes esse direito seria admitir a culpa, a traição à Pátria. Nunca o farão!


É mais fácil e cómodo atribuir-lhes a culpa da tragédia como consequência da alegada "exploração" dos nativos, esquecendo o suor que derramaram a desbravar e tornar férteis aquelas terras de fim do mundo que tanto amaram.


Nem um pedido de perdão, nem um pedido de desculpas, quanto mais reparações!


E assim nasceu, sem honra nem glória , esta terceira república que, alucinadamente, conduz Portugal e os portugueses à insignificância e ao opróbrio, sem sequer olhar para trás e perceber que Portugal não nasceu em abril de 74, mas da visão e determinação de um Homem há quase 900 anos.




Peniche, 9 de junho de 2026

António Barreto



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