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Olhando Para Dentro 1930-1960 (Bruno Cardoso Reis) (Em História Política Contemporânea, Portugal 1808-2000, Maphre - nota...

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sábado, 27 de junho de 2026

O Declínio da Europa

 

O Declínio da Europa


A Europa perdeu a vantagem tecnológica decorrente da Revolução Industrial e procura, desesperadamente, criar um novo ciclo com a "crise" climática. Não vai funcionar! Foi a expansão do comércio internacional, subsequente à descoberta de novas rotas marítimas - de que Portugal foi pioneiro -, que deu origem à primeira Revolução Industrial.


O mercado, a expansão da procura, foi a sua causa. Agora pretende-se forçar um novo ciclo por via administrativa, impondo critérios ao mercado. Não funcionará!


Mas não é tudo; com a caducidade dos atos coloniais, os países europeus perderam a exclusividade do acesso às matérias primas e aos mercados das respetivas colónias bem como do correspondente transporte.


Por outro lado, a competitividade chinesa decorre dos reduzidos custos do trabalho - em regime de semi-escravatura, num contexto de capitalismo de Estado - enquanto na Europa, os custos do trabalho são altos e compulsivamente crescentes.


O Estado Social Europeu, desenvolvido no pós-guerra graças às elevadas taxas de crescimento económico nos trinta anos seguintes, são incompatíveis com as taxas de crescimento atuais.


A exclusividade do conhecimento, que gerou a economia de alto valor acrescentado, inexiste!


Entretanto, o novo ciclo da Revolução Industrial, virá, sem sombra de dúvida, da IA! E que revolução vai ser!


Finalmente, a superioridade normativa europeia, gerada nos séculos XVIII e XIX, fator importante do neocolonialismo subsequente à descolonização, está esbater-se. Enquanto as universidades europeias transformadas em centros de doutrinação ideológica, estão em declínio, os países emergentes, China, Índia, etc., criaram as suas próprias fontes de conhecimento, reduzindo a sua dependência nesta matéria.

Conclusão: De uma forma ou de outra os europeus estão condenados ao empobrecimento; ou reduzem-se os custos do trabalho, ou "descobrem-se" novos fatores indutores de ganhos de produtividade, ou o declínio da quota no mercado internacional continuará a aumentar.


A via, que tem sido seguida, da expansão do mercado interno pela imposição do consumo, é limitada e indutora de tensões sociais.


É neste contexto que surge a questão da imigração; um dos propósitos desta avalanche de imigrantes é, precisamente, o da redução dos custos do trabalho pelo aumento da oferta, apostando na economia de baixo valor acrescentado.


Um delírio gerado pelo desespero.


A UE tem que mudar de rumo, reduzindo tecnocracia e liberalizando a economia.





Peniche, 27 de Junho de 2026

António Barreto

terça-feira, 9 de junho de 2026

Retornados, não. Abandonados, sim!

 

Retornados, não. Abandonados, sim!


Não sei quem teve a ideia de chamar retornados aos portugueses de África que vieram para Portugal por ocasião da independência das ex-colónias. Mas sei que a intenção era a de atenuar a tragédia que se estava a viver. A consciência da culpa e o medo da reação das populações aguçou o engenho aos descolonizadores, auto-convencidos do seu papel divino de libertadores dos povos oprimidos sem perceberem que os atiravam para ao braços do neocolonialismo.


Ora, retornado é alguém que regressa ao local de origem por sua livre vontade. E não foi isso que sucedeu! Vítimas de perseguição dos bandos de malfeitores, a quem os "bravos" do MFA e dos partidos de abril entregaram as províncias ultramarinas, os portugueses de África, ante a passividade das tropas portuguesas, que cruzavam os braços, indiferentes às barbaridades, de todo o tipo de que eram vítimas, foram obrigados a fugir, correndo mil perigos, para salvar a pele. Muitos ficaram pelo caminho, mortos, abusados e estropiados. Muitos eram nativos de África, nunca seriam retornados.


Por conseguinte, o termo mais apropriado para os classificar é o de escorraçados, ou de perseguidos, ou, ainda melhor: os abandonados!


Abandonados pelo país de Afonso Henriques, de D. Dinis, de D. João I, de D. João II, de D. Manuel, de D. Sebastião, de D, João IV e seguintes.


E desse feito juram orgulhar-se os seus autores!


E falam em "reparações" aos que os perseguiram, aterrorizaram, lhes confiscaram os bens e destruíram quase tudo o que foi construído ao longo dos séculos.


Quem aterrorizou, roubou e matou já cobrou as ditas "reparações"!


Para os abandonados do ultramar não há "reparações"! Reconhecer-lhes esse direito seria admitir a culpa, a traição à Pátria. Nunca o farão!


É mais fácil e cómodo atribuir-lhes a culpa da tragédia como consequência da alegada "exploração" dos nativos, esquecendo o suor que derramaram a desbravar e tornar férteis aquelas terras de fim do mundo que tanto amaram.


Nem um pedido de perdão, nem um pedido de desculpas, quanto mais reparações!


E assim nasceu, sem honra nem glória , esta terceira república que, alucinadamente, conduz Portugal e os portugueses à insignificância e ao opróbrio, sem sequer olhar para trás e perceber que Portugal não nasceu em abril de 74, mas da visão e determinação de um Homem há quase 900 anos.




Peniche, 9 de junho de 2026

António Barreto



Benfica - o caso Mourinho

 Benfica – O caso Mourinho


O caso é complexo e não se lhe conhecem os detalhes. Porém, há parâmetros óbvios: Mourinho, despedido do Fenerbahçe, tinha a carreira em declínio. Rui Costa com eleições à vista precisava de um trunfo, Bruno Lage, depois de um meio-brilharete no mundial de clubes e da qualificação meritória para a Liga dos Campeões, tinha perdido a equipa devido à entrada titubeante no campeonato. A chegada de Mourinho deu um impulso motivacional à equipa sénior, às equipas da formação, aos adeptos, resultando num alívio de tensões sobre a Direção e na reeleição de Rui Costa.


Num contexto de disputa dos direitos televisivos, o Benfica foi empurrado para fora da Lga dos Campeões, atirado para a Liga Europa, sob condição, com o propósito de desvalorizar o clube e reduzir a sua quota na distribuição dos direitos televisivos. Tenho a impressãde que Mourinho tinha anticorpos no Benfica e, por outro lado, não deve ter gostado da passividade do clube ante os sistemáticos "equívocos" de arbitragem, sempre, em prejuízo, direto ou indireto, do Benfica.


A evidente e reiterada subjugação dos clubes ao "manto verde", a perspetiva de deambulação pela 2ª Liga europeia no Benfica, de atacar a Liga dos campeões no Real, e, naturalmente a valorização remuneratória, decidiu Mourinho a aceitar o convite deste, onde Florentino, debatendo-se numa crise de confiança perante os adeptos face ao desastre desportivo da época, carecia, tal Rui Costa de novo trunfo.


E resultou. Foi reeleito, num processo em que o Mourinho anuiu à propaganda eleitoral do Presidente do Real, revelando falta de caráter por estar estar, ainda, ao serviço do Benfica.


Gostaria que tivesse ficado, pois parece-me que estava a fazer um grande trabalho na monitorização dos jogadores da formação,


O certo é que o Benfica não consegue fazer o que o Real fará: contratar os melhores jogadores da Europa. Nem é nisso que reside o mérito dum Treinador.


Confio no Marco Silva, sei que fa um bom trabalho: é competente, corajoso e sente o clube. O que não sei é se a Direção tem capacidade para enfrentar, frontalmente, os inimigos do Benfica.


Porém, já anunciaram uma nova investigação aos clubes de futebol. Cheira-me a esturro. Oxalá me engane, mas o visado deve ser o Benfica. Ilibado do caso Saco Azul, é preciso inventar nova suspeita cuja investigação durará mais dez anos!


O método é simples; consiste em pôr em prática a metáfora de Damocles; manter a espada sobre o pescoço da vítima pronta a desferir o golpe fatal a qualquer momento.


Salvo melhor opinião, é esta a causa primordial do silêncio do Benfica ante as malfeitorias de que tem sido vítima em todas as frentes.


Há uma forma de acabar com isto, mas não vejo ninguém a referi-la: apontar o dedo ao partido do Governo que compactua com o estado atual da arte. Mas isso exige arte, sabedoria, engenho. Infelizmente, os "grandes benfiquistas", os notáveis, só o são se o Benfica ganhar, Ante a injustiça preferem calar-se.


Precisamos de um líder que saiba apontar o caminho aos adeptos e simpatizantes e se coloque à frente das "tropas" frente aos que querem reduzir o clube à vulgaridade. Como disse o outro: “isso são outros quinhentos”



                                       Bert Hardy - A boy and girl hold hands under an archway

                                        in the Gorbals, a slum of Glasgow, 31st January 1948.


Peniche 08 de Junho de 2026

António Barreto

sábado, 25 de abril de 2026

Patriotismo em Angola

 

Patriotismo em Angola



“Lá bem no centro do enorme refeitório, alguns militares subiram para cima das mesas e munidos de guitarras e violas, começaram a cantar a “Grândola Vila Morena”, O nervoso que se apossara de mim durante os discursos, desaparecera com a descarga algo tempestuosa do mal que me invadira, mas parecia-me que qualquer coisa desconfortante começava novamente a bulir comigo. Esperei que terminassem a canção para me retirar e evitar assim qualquer situação mais delicada. Mas o grupo, em vez de dar por finda a sua atuação, arrancou com uma segunda volta.


A barreira do suportável tinha ou estava prestes a ser ultrapassada pelo que, voltando-me para o Granjo de Matos, disse:

- Ordene silêncio através do sistema sonoro e que saiam de imediato de cima das mesas!

Após todos os homens terem retomado os seus lugares em volta das mesas, disse ao Comandante:

- Ordene posição de sentido e informe que vamos todos cantar o Hino Nacional!


Mais uma vez a ordem foi cumprida sem a mínima hesitação e voltei uma vez mais a pedir ao Granjo de Matos:

- Ordene novamente sentido e vamos cantar mais uma vez o Hino Nacional!

Novamente aquelas vozes ressoaram através do refeitório, fazendo vibrar até os menos crédulos.


Fez-se um silêncio profundo, mesmo impressionante. Aguardei dois ou três minutos que pareceram uma eternidade e disse ao Comandante:

- Mande pôr todo o pessoal de pé e informe que o Comandante-Chefe das Forças Armadas de Angola vai sair!


Poderia ter utilizado uma porta lateral, ali mesmo ao lado da mesa em que me encontrava. No entanto, e sem qualquer hesitação, decidi avançar pelo meio daquele corredor humano com a certeza de que alguma coisa iria acontecer. E aconteceu...Quando havia percorrido cerca de metade da distância que me separava da saída uma autêntica explosão de palmas irrompeu por toda a sala. Foi um momento difícil. Limitando-me a acenar com o braço como que num agradecimento, não consegui evitar que umas lágrimas teimosas me rolassem pela face.”


Silva Cardoso Alto Comissário de Angola em 1975, nas comemorações do 25 de abril em Luanda, em “Angola Anatomia de Uma Tragédia”


Silva Cardoso, foi Oficial da Marinha, e da Força Aérea, tendo-se destacado na guerra de Angola, desde o seu início, durante a recuperação dos territórios do norte derrotando os terroristas da UPA.

Liderou a instalação da Força Aérea em Angola e foi destacado para imobilizar o Santa Maria em caso de o navio se dirigir para Luanda, como tinha sido planeado por Henrique Galvão. Para este fim esteve estacionado em Cabo Verde com o seu avião equipado com mísseis prontos a disparar sobre o leme do navio, retirando-lhe o governo. Não foi necessário, depois de muitas peripécias o navio aportou no Recife.


Peniche, 25 de abril de 2026

António Barreto

quarta-feira, 18 de março de 2026

Guerras do Século XXI

 

    No Irão a guerra prossegue ameaçando alastrar-se. O Irão faz tudo o que pode para internacionalizar o conflito, bombardeando os países vizinhos e bloqueando o estrito de Ormuz. Os EUA pedem ajuda para o desbloquear. E Israel segue implacável destruindo objetivo após objetivo iraniano. O preço do petróleo sobe e os governos aproveitam para encher os cofres. A Europa fala mas não age. Ninguém está para se incomodar, excetuando o Macron. Trump alivia as sanções à Rússia na expetativa de baixar o preço do crude. Parece que os Marines vão ao terreno. Os Curdos também.


    É impressionante, no Mundo Ocidental, santuário dos direitos humanos, a quantidade de gente, maioritariamente progressista, que apoia convictamente um regime, o iraniano, que nega esses direitos à respetiva população! Algo está a correr mal nas democracias. A insana luta pelo poder, radicalizou os políticos, os partidos e as comunidades. Os pressupostos básicos da doutrina democrática desapareceram. Vale tudo. A saudável troca de ideias inexiste. A verdade cede lugar à perceção e a atividade política resume-se à arte de cada um criar perceções de forma a desacreditar o oponente junto da Opinião Pública. Esta insanidade começa nas escolas, aprofunda-se nas universidades e difunde-se para a comunicação social e administração pública. As massas escolhem os seus heróis e seguem-nos atrás dos diabos escolhidos. A noção de bem e do mal é difusa, vai-se alterando, perdem-se as referências morais e éticas. O que ontem escandalizava é, agora, normal. Agravam-se os conflitos sociais, com a permissividade dos governos, perdidos no labirinto da Opinião Pública, atentos à oportunidade de conquistar novos eleitorados. No fundo é só isso que conta. E por aqui morrem as democracias.


    Trump decidiu dar combate ao narcotráfico e ao socialismo na América latina. Depois da Venezuela, em processo de mudança de regime e de líderes, seguiu-se Cuba, em desagregação. No primeiro caso o povo rejubila com a queda do ditador Maduro e a libertação dos presos políticos. No segundo, o povo clama por liberdade e chora de alegria pelos presos políticos libertos. O processo parece irreversível. A seita que tomou conta do Brasil, atolada em corrupção está sob pressão americana. Bolsonaro está entre a vida e a morte. Esperam-se mudanças.


    Em qualquer dos casos os alegados progressistas, condenam os EUA por violação do Direito Internacional, indiferentes ao sofrimento das populações, à sua ânsia de liberdade. O ódio ao conservadorismo tudo justifica. A Europa, essa feira de vaidades, sem mandato para tal, afasta-se dos EUA, determinada a mudar a matriz social e política das respetivas populações, com propósitos ainda indefinidos. Sem referências confiáveis acabará por se desagregar, para gáudio dos seus principais concorrentes, EUA, Rússia e China.



Peniche, 16 de março de 2026

António Barreto

domingo, 1 de março de 2026

Trumpfobia

 

Nada do que Trump faça merecerá um elogio de jornalistas e comentariado militante que pululam na comunicação social portuguesa.


No entanto, foi a guerra da Síria - iniciada por Obama - que despoletou o caos migratório na Europa. E foi o democrata" Jimmy Carter um dos principais responsáveis pela queda da monarquia persa e da implantação do socialismo islâmico, cujo dirigente máximo foi essa figura incontornável da "liberdade e dos direitos humanos" o ayatola Khomeini.


Donald Trump parou a guerra na Palestina, congregando os apoios regionais necessários para o desenvolvimento económico na região, impondo a libertação pelo Hamas, de todos os reféns em seu poder, vivos ou mortos. Não é pouco.


Prendeu e levou a tribunal o principal "capo di mafia" da Venezuela e da América latina, de seu nome, Nicolas Maduro, impondo a transição do regime para um padrão democrático e, vejam só, impondo a libertação de todos os presos políticos.

Em ambos os casos a população exulta de alegria e reconhecimento pela perspetiva de uma vida digna.


Cuba, esse "bastião da liberdade", cuja vitória da revolução se consubstancia na fome e repressão dos cubanos, aos quais é negado a liberdade de expressão, de reunião e associação, de exercício de atividade económica livre, e a quem é garantida a cadeia em caso de dissidência - conheci diretamente a realidade cubana - é hoje confrontada com o fim do regime e o possível início do caminho da dignidade, começando, sem demoras, pela libertação dos presos políticos, que não são poucos.


Tudo graças a Trump, esse "idiota louco".

E há o México, um narcoestado, onde o crime organizado - com cerca de 140 mil operacionais -, impóe os seus desígnios ao governo do país que, por imposição de Donald Trump, finalmente, parece trilhar o caminho da dignidade institucional.


E há o Foro de São Paulo, uma organização tenebrosa entre vários países da América latina - da qual faz parte o Brasil - cuja principal missão é a de difundir o comunismo na região e desagregar social e politicamente Europa e EUA, através da disseminação das drogas duras, em associação com os mais violentas organizações criminosas que dominam o negócio da droga, algumas já com presença em Portugal.


Quanto à teocracia iraniana que pratica o terror religioso e político entre a sua população e no mundo livre, deve ser derrubada, pelos perigos que representa para a humanidade, pela liberdade e dignidade do seu próprio povo, que, desesperado, clama por ajuda a Donald Trump.


Porém, para os sábios, sapientes, iluminados, prescientes, impolutos, justos, patriotas, jornalistas, comentadores e políticos em geral, salvo exceções, Donald Trump apresenta sintomas de "patologia" do foro mental. Afinal, o estigma de todos os "desalinhados", sendo que, essa patologia consiste afinal no repúdio do social-comunismo.


Sem comunicação social livre e competente a democracia não funciona. Por alguma razão alguns a consideram o primeiro poder.



Peniche, 1 de Março de 2026

António Barreto


domingo, 22 de fevereiro de 2026

Coisas do Arco da Velha

 

Coisas do Arco da Velha


Vinte e cinco anos depois do ataque às torres gémeas de Nova Iorque, perpetrado por terroristas islâmicos, em que morreram cerca de três mil pessoas, foi eleito um islâmico para Presidente da câmara!


O Brexit verificou-se a 31 de Janeiro de 2020, em consequência do fluxo migratório descontrolado de asiáticos e africanos para o Reino Unido provocado pela política de portas abertas da União Europeia sob o consulado de Angela Merkel.

Hoje, o Presidente da Câmara de Londres é islâmico. O Reino Unido está repleto de imigrantes. O Governo britânico - trabalhista -, é complacente com os distúrbios e crimes por eles praticados, castigando os nativos que os denunciam, vítimas ou não e prometendo guerra sem tréguas à intolerância.


A sete de Outubro de 2023, o Hamas fez uma incursão terrorista em Israel, matando milhares de pessoas - cerca de 1200 - e feito largas dezenas de reféns. Passada a indignação inicial, a reação israelita de retaliação e resgate dos sequestrados, suscitou reação condenatória global intensa e ativa - exceto USA - até aos dias de hoje, consumando-se a inversão do ónus do conflito.

A primeira coisa que me vem à ideia e que parece comum aos três casos, é o conceito de Síndrome de Estocolmo, em que o medo acaba por gerar no subconsciente da vítima uma certa simpatia pelo opressor na expetativa da opressão se tornar mais branda e suportável.


No caso americano era de esperar uma reação profundamente hostil dos nova-iorquinos para com os islâmicos. Eu sei que a demagogia desencadeia muitas boas vontades, mas não consigo deixar de pensar que esta eleição teve um caráter preventivo. Talvez os americanos envolvidos tenham pensado que, com esta eleição, estarão a salvo de novos ataques.


No Reino unido é diferente. Curioso é que a saída da UE não parece ter reduzido a imigração como se pretendia. Pelo contrário, atingiu tais proporções que as autoridades assumiram uma atitude de complacência perante os distúrbios emergentes, silenciando vítimas e punindo denunciantes. E não me parece que os ingleses sofram do tal síndroma. Uma mega manifestação recente comprova-o. E o governo – trabalhista - já declarou, através do Primeiro Ministro, que está disposto a fazer-lhes frente na defesa da integração dos imigrantes. A dimensão eleitoral destes atrai apoios dos partidos de esquerda. Em democracia o que conta é o voto. E o imigrantes são muitos e a somar.


Quanto a Israel, como interpretar o clamor condenatório a um povo vítima de barbaridade atroz? Talvez pela dimensão da retaliação, pelas vítimas que causou entre a população, apesar do empenho na limitação de danos pessoais. Talvez porque o martirizado povo judeu, seja visto pelo poderoso lobi anti-Ocidental, socialista e não socialista, como um dos pilares históricos do capitalismo, que pretendem derrubar. Talvez porque a erradicação do Estado de Israel continue a ser do interesse regional, e não só. Talvez porque uma espécie de corrente invisível tenha amedrontado uma boa parte do “bom e nobre” mundo ocidental restaurando-lhe o velho desígnio de estar do lado certo da história, ainda que aparente.


Serão estes casos entendíveis à luz da psicologia de massas?



Peniche, 22 de Fevereiro de 2026

António Barreto