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domingo, 27 de setembro de 2026

Lufada de Ar Pestilento

 

Lufada de ar Pestilento


Este Vilas Boas não tem o pedrigree de Pinto da Costa, porém, tal como este foi, VB, não passa de um testa de ferro de algo mais vasto e profundo; das elites locais, políticas e económicas. Consulte-se a composição dos órgãos sociais do FCP-SAD, para compreender melhor.


Por um lado, há um ressentimento histórico do Porto relativamente a Lisboa, que vem de muito longe! Desde o Marquês de Pombal, com o "massacre dos taberneiros", na sequência da criação da Zona Demarcada do Douro, passando pelas primeira e segunda guerras liberais, da guerra da Maria da Fonte/Patuleia, na qual o o Conde das Antas teve papel de algum relevo.


Por outro lado, o FCP tem dimensão política implícita! Essa foi a grande arte de PC! A elevada densidade demográfica da região, a lealdade incondicional dos adeptos ao clube e, claro, ao seu líder, permitiu-lhe, com o seu jogo de palavras associado ao espetro da rebelião, sempre em fundo, garantir a tolerância ativa dos principais partidos políticos.


Contudo, há uma questão primordial: o tema da regionalização, consignado constitucionalmente e desejado pelos grandes partidos, por razões complexas que podem ter contornos venais.


O FCP é o ponta de lança desse processo. A estratégia passa por agregar em torno do clube a população local - os restantes clubes históricos da cidade, Salgueiros, Boavista foram desaparecendo, ou perdendo relevância desportiva e social -, e, através da hiperbolização da guerra com o Benfica, definindo-o como paradigma do centralismo e reminiscência do Salazarismo - "em política, o que parece, é" - e afirmando o FCP como vítima da "longa noite fascista", provocar uma rotura social no país suporte da institucionalização da regionalização.


Se repararmos nas vicissitudes policiais e judiciais ao longo das décadas envolvendo assuntos espúrios relacionados com o FCP - foram muitas e muito graves -, vem à cabeça do cidadão comum a ideia de que, no Porto não se aplicam as leis do país! Que há uma conduta eminentemente leniente, por parte de membros das autoridades, com o propósito de "cavar" a fratura social e institucional.


Um dos maiores exemplos disso é o caso do Madureira! Cometeu, alegadamente, toda a espécie de atos intimidatórios; a árbitros e respetivas famílias, adversários e até a atletas do clube, e ninguém, ninguém, teve a coragem de o meter na cadeia! Quando tiveram que o fazer, o FCP-SAD constiuíu-se assistente na qualidade de lesado (salvo-o-erro)! A querer fazer tolos de todos nós!

Este é o campo de batalha que os dirigentes do Benfica, sócios e adeptos, devem entender e unindo-se, impedirem os enxovalhos ao seu clube reduzindo-o à insignificância. Quando a força social do Benfica tiver impacto eleitoral, tudo mudará.




Peniche 26 de Setembro de 2026

António Barreto



sábado, 19 de setembro de 2026

Capim em Chamas

 

Capim em chamas

de

Cyprian Ekwensi


Não é sobre guerra, como pensei; é sobre África. Descreve de forma simples e atrativa, o quotidiano de uma tribo nigeriana, os Fulani. Os Fulani são uma tribo nómada que vive da criação de gado, caprino e bovino e agricultura de subsistência. Alimentam-se à base de farinha de milho e leite, carne e peixe.

Tratar do gado, mantê-lo junto e seguro, conduzi-lo de pastagem em pastagem é a sua “ciência” mais valiosa. A distinção de alguém mede-se pelo número de cabeças de gado que possui. Queimar o capim é o método que usam para garantir o rejuvenescimento das pastagens. Os rios são as suas vias prediletas, onde o gado se dessedenta e os pastores fazem a sua higiene pessoal.

Vivem em cubatas, que levam consigo quando se deslocam. Os laços familiares são muito fortes, cabendo à mulher as tarefas domésticas e aos homens o pastoreio. Todos contribuem. O conhecimento transmite-se de pais para filhos e estes reverenciam-nos. Reverência que se mantém ao longo da vida, mesmo quando se emancipam, formam o seu próprio rebanho e partem para longe.

Tratam as doenças com mezinhas caseiras à base de plantas. O chefe, escolhido, da tribo, dirime os conflitos internos e defende-a de ameaças externas. Têm mitologia própria a que recorrem para entender certos fenómenos da vida pessoal e coletiva.

Para noivar, um rapaz tem que se submeter ao sharro, cerimónia realizada ante a tribo, ao som de música e com as candidatas preparadas, em que aquele tinha direito a escolher noiva desde que suportasse, sem queixas, as chicotadas do rival.

Uma rapariga só estava, formalmente, comprometida, quando entrasse na cubata do rapaz. Até lá era livre. Por sua vez, uma escrava, geralmente prisioneira de uma tribo rival, deixava de o ser no momento em que dava à luz. O pai do noivo negoceia com o pai da noiva o “preço” desta em cabeças de gado.

À semelhança das sociedades atuais, as populações rurais desconfiam das gentes que viviam nas cidades. Tinham um certo desprezo pelo seu modo de vida. Contudo, há grande hospitalidade entre as tribos dispersas pelo território.

Frases curtas, impecavelmente pontuadas, com os diálogos muito bem sinalizados, por vezes algo ingénuos. Para mim, uma bela lição de sintaxe e humanidade.

Transcrevo um trecho que me cativou:

“Jalla sentou-se. Com os joelhos afastados e as mãos apoiadas no cajado. Passeou os olhos pela pastagem. Era estranha a maneira como esta grande extensão de mato se comportava:nos dias de feira, os caminhos estariam cheios, mas, em dias como este,o Sol batia no capim, nos espinheiros e nas gardénias, e nem uma alma perturbava a quietude os caminhos escaldantes”

Vassily Kandinsky - Blue Rider

Peniche, 20 de Setembro de 2026

António Barreto


sábado, 12 de setembro de 2026

Ansaie Climatique

 

Ansaie climatique


Intigamente os óstralopiteques lusitanes usavem saques de pane, cestes de vime, de folhe de madêra e materiali orgânique.


Óspois vierem os ciantistas, os ténicos e os palíticos dezer que isso era retógrade, que passríamos a fazer comós amaricanos; o que era moderne eram os saques de plástique descartábeles. Era más prátique.


Intigamente, os ciantistas e ténicos das andustrias eram munto atrasados; usavem os prigosos amoníaque anidre e o dióxide de crabone nos sitemas fegríficos!


Óspois ficarem inteligentes e sábios e inventarem os fréons, mais segures e barates que massificarem a utilizaçon do frie na presrevaçon dos alimentes.


Ópois ficaraem todes burros ótra vez e vierem dezer que os freons na podia ser; proque destruiem o gás ozone da strastosfera, dexavem passari os ráis vióletas, esquentavem o planeta e merríamos todos esturricados.


Portantes resolverem voltar a usar o ameníaco e o dóxide de crabone; fazem bem ó planeta e já na morre ninguém no inferno.


Calma! na ficarem burros pa sempri, proque come descobrirem que os plastiques descratabels fazem mal ós habitantes dos oceanes, inventarem as taxas!


Mas isso foi os palítiques! com muntas taxas aplicades ós plástiques, já na há prigo pós oceanes e ficames todos munto, mas munto cebelezados.


Já na fazemos mal à natureza, nem à strastosfera, nem a nada! (se calhar ainde morremes asfixiades em tantas taxas e tanta cebelização e sebadoria!)


Ainda bem que passámes a acreditar nos ciantistas e nos politiques! Os téniques, coitadinhes fazem o que lhes mandem, ósenão atirem-nos borda fora.



kandinsk cidade velha - 1902


Editado em 31/08/2026, Peniche

António Barreto