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Olhando Para Dentro (notas)

Olhando Para Dentro 1930-1960 (Bruno Cardoso Reis) (Em História Política Contemporânea, Portugal 1808-2000, Maphre - nota...

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quinta-feira, 16 de julho de 2020

Olhando para Dentro (IX)



Olhando Para Dentro

1930-1960

(Bruno Cardoso Reis)

(Em História Política Contemporânea, Portugal 1808-2000, Maphre - notas)

 
   Oposição e Repressão:

   As causas da dificuldade de oposição ao regime foram variadas. Desde logo por falta de um líder carismático, unificador, capaz de congregar todas as fações opositoras. Nunca houve um “Salazar” da Oposição. 

   Nas eleições presidenciais de 1958 a candidatura do carismático Humberto Delgado reuniu o apoio da generalidade das fações antirregime (a ponto do PCP desistir do seu candidato, Arlindo Vicente). 

   Visto inicialmente como o líder unificador antirregime, rapidamente Humberto Delgado foi classificado de aventureirista, acabando por produzir-se o efeito contrário (Preconizava a luta armada enquanto o PCP privilegiava a doutrinação da população preparando-a para um evento revolucionário, como acabou por suceder em 1974).

   Outra causa consistia na heterogeneidade das oposições - ainda mais ampla que a das fações políticas associadas ao regime - da extrema-direita nacional-sindicalista à extrema-esquerda comunista, passando por republicanos de orientações variadas, socialistas, católicos ou monárquicos pró-liberais, tanta diversidade inviabilizou qualquer veleidade unificadora.

   Por outro lado, a repressão, discreta mas eficaz, impedia o exercício pacífico permanente da oposição, condenando as respetivas organizações à ilegalidade.

   Mas também é verdade que as oposições, inicialmente, subestimaram as capacidades do “jovem tecnocrata de Coimbra” devido, sobretudo, às várias tentativas falhadas de imposição dum regime autoritário na vigência da primeira República. 

   Contudo Salazar revelou-se exímio na captação de apoios; entre os jovens militares do 1º de Maio (Galvão e Delgado incluídos), mas também recrutando elementos das várias correntes políticas. O “jovem tecnocrata” dividiu para reinar enfraquecendo os opositores.

   Enquanto uma geração mais velha e destacada de líderes políticos recusava submeter-se ao poder de Salazar, as gerações mais novas, menos influentes, viam na adesão ao novo regime uma oportunidade de ascensão profissional, económica e social. Tal sucedeu em todas as correntes políticas do final da primeira República.

   Entre os veteranos opositores destacaram-se, Luís Neto, do centro Católico, Hipólito Raposo, do Integralismo Lusitano, Rolão Preto, do fascismo nacional-sindicalista, Cunha Leal, da União Republicana, Paiva Couceiro, entre os monárquicos, etc.

   Em todas estas correntes Salazar arregimentou apoios que credibilizaram, minimamente, a constituição do seu regime no âmbito duma União Nacional de cariz conservador.

   O aparelho repressivo salazarista caracterizou-se pelo exercício discreto e otimizado da coerção, como referiu Hermínio Martins.

   No âmbito da metrópole as vítimas mortais da repressão situaram-se entre as 40 e 80, enquanto que os presos políticos em todo o período do Estado Novo foram da ordem das dezenas de milhar, tendo-se verificado o pico da ação repressiva, entre 1936 e 1939, com cerca de oito mil prisioneiros. 

   A pena de morte estava excluída da lei penal do regime. Comparativamente a ditadura franquista, depois da Guerra Civil e até 1945, executou cerca de 50 mil prisioneiros e no seu pico manteve mais de 300 mil em cativeiro. As últimas execuções verificaram-se em 1975.

   A justificação para uma maior contenção no uso da violência em Portugal poderá estar na ausência de guerra civil. No entanto é certo que o regime salazarista detinha poderes ilimitados de detenção, deportação e censura, pelo menos até 1945, e mesmo depois.

    No caso das colónias a violência repressiva foi muito superior à da metrópole contudo numa escala ainda não apurada. 

   Comparativamente com outros regimes ditatoriais contemporâneos o Estado Novo foi moderadamente repressivo. 

   Foram muito poucos os opositores na metrópole que, por isso, perderam a vida. Muitos mais perderam o seu modo de vida. Mais comum era a submissão dos opositores a lenta humilhação resultante da acumulação de dificuldades materiais em consequência da exclusão profissional; o exercício de cargos no setor público, por exemplo, estava condicionado à assinatura dum compromisso jurídico de fidelidade ao regime. Até no setor privado as funções docentes eram controladas.

   Outro tipo de repressão era exercido através da ação das autoridades locais ou líderes profissionais e de toda uma teia de influências, que consistia na dissuasão dos dissidentes com ameaças de denúncia e “bons conselhos” a fim de “evitar complicações políticas e policiais a amigos e familiares” (de facto, havia uma rede de informadores espalhada por todo o território que, por si só, constituía dissuasão suficiente para a maior parte das pessoas, mesmo as mais humildes e politicamente incultas).

   Toda e qualquer forma de protesto, desde greves organizadas por sindicatos - afetos ao Partido Comunista na cintura industrial da Grande Lisboa -, até motins rurais no Norte do país, era visto como uma ameaça ao regime e passível de repressão violenta.

   Salazar teve um papel central na criação e direção da PVDE/PIDE; escolhia os respetivos diretores e despachava diretamente com eles. Negando a repressão, acabou por admiti-la embora de âmbito reduzido, justificando-a, numa entrevista que deu a António Ferro, com a necessidade de proteger crianças e pessoas indefesas de gente maioritariamente bombista que se recusava a confessar. Nesta narrativa, de vítimas os opositores passavam a carrascos, apesar de, na sua grande maioria e desde 1937 até 1959, estes terem rejeitado o recurso à violência.

   Com as ideias de que a imprensa é o alimento espiritual do povo e que em política, o que parece é, Salazar justificou a censura com que controlou as perceções do público.
   A ligação documentada da influência de Salazar nas práticas de tortura não é necessária para concluir da sua responsabilidade política das mesmas já que tinha o poder de controlar e sancionar o que entendesse. 

   Quanto à oposição, apesar da grande diversidade de fações e dos fracassos sucessivos, logrou congregar as várias tendências, maioritariamente oriundas dos antigos partidos republicanos, a que se juntaram muitos descontentes. Interditada a via legal, até à segunda Guerra Mundial o método oposicionista dominante foi o do golpe de Estado. 

   Bernardino Machado, ex-Presidente deposto no golpe do 28 de Maio de 1926, opositor do novo regime, apelidou-o de “ditadura da milícia clerical” e a Salazar de “medieval ministro”.

   A matriz oposicionista alterou-se a partir da segunda guerra mundial. Dos estadistas da Primeira República restava Norton de Matos e foi na sua candidatura às eleições de 1949 que se revelou o novo padrão. Esta foi condicionada pelo aparelho comunista, único partido com atividade permanente, clandestina, com uma estrutura fortemente centralizada segundo o método leninista. As reformas no partido introduzidas por Álvaro Cunhal em 1941 (e os financiamentos soviéticos, da ordem dos 10 milhões de dólares anuais), transformaram o PCP no principal partido da oposição. 

   Foi assim que, em 1943, com base na rede comunista, foi fundada a MUNAF - Movimento de Unidade Nacional Antifascista -, organização clandestina de cariz unitário que surgiu na sequência do desafio lançado por um grupo socialista.

   Em 1945, já no plano legal, surgiu o MUD - Movimento de Unidade Democrática -, cuja ala juvenil, dirigida por jovens comunistas, serviu de escola prática de oposição. 

   Contrariamente ao propalado pelo regime sempre houve uma oposição anticomunista, contudo, no período pós-segunda Guerra Mundial, o papel do PCP foi dominante. A ponto deste se considerar o “verdadeiro defensor da Nacionalidade” e dos interesses do povo português, como alegou em tribunal em 1936, apesar da sua matriz internacionalista.

   Mário Soares notabilizou-se neste período pela forma exemplar como ajudou a impulsionar a transição da oposição tradicional republicana e dos intelectuais da Seara Nova para uma oposição democrática não comunista.

   Nos tranquilos anos cinquenta, em que a oposição política foi pouco ativa, decorreu um processo de aprofundamento da formação política, não só de Mário Soares, como ele próprio afirmou, mas também da juventude mais culta, que se foi afastando do regime.

   Depois do abanão político, decorrente da candidatura de Humberto Delgado nas eleições presidenciais de 1958, emergiu a dissidência do Bispo do Porto. A oposição alargava-se ao setor progressista da Igreja deitando por terra o argumento de que se restringia a comunistas e velhos republicanos que por despeito faziam o jogo dos comunistas.

   Até 1974 a oposição alargou-se a outros setores da sociedade tendo-se limitado a sua atividade à participação nas campanhas eleitorais e à apresentação de petições e abaixo-assinados junto do Presidente da República, dos Tribunais e da imprensa.

   Entre os opositores ao Estado Novo, destacaram-se; as elites mais independentes do Estado, como os profissionais liberais de forte espírito corporativo com relevo para os advogados e sua Ordem; professores e militares, e os ferroviários, estes, trabalhadores mais qualificados e politizados.

   Os jornais República e Diário de Lisboa eram os principais municiadores destes opositores, que, apesar de minoritários, deram um contributo importante à causa da oposição.

 
Norton de Matos

Peniche, 6 de Junho de 2020
António Barreto

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Olhando para Dentro (VIII)

Olhando Para Dentro

1930-1960

(Bruno Cardoso Reis)

(Em História Política Contemporânea, Portugal 1808-2000, Maphre - notas)


O Estado Novo e as Elites: Católicos, Milionários e Militares:

   Apesar de cerca de 85 % dos Ministros serem recrutados no setor público algumas elites da sociedade civil tiveram importância no regime; as da Igreja Católica, dos grandes empresários e dos militares.

   A ascensão social e política de Salazar deve-se à sua formação católica e à Igreja. Apesar disso o seu vínculo político primordial foi o nacionalismo. O regime salazarista foi nacionalista, conservador católico, mas nunca confessional como o que Franco instituiu em Espanha.

   Salazar nunca subordinou os interesses do Estado aos da Igreja Católica; adiou e prolongou as negociações da Concordata durante três anos, negou à Igreja o estatuto de religião de Estado e, igualmente, negou a devolução da maior parte dos bens nacionalizados em 1910. As concessões verificaram-se nas áreas da educação, família e missionação, que reuniam amplo consenso entre o conservadorismo e a Igreja. Em contrapartida Salazar impôs o direito de veto na nomeação dos bispos conseguindo dessa forma controlar politicamente as elites eclesiásticas.

   Apesar do empenho mútuo numa boa relação (Salazar tinha sido colega e grande amigo de Cerejeira nos seus tempos de Coimbra) as queixas de ambos os lados ao papado eram frequentes.

   Confirmando o distanciamento de Salazar à Igreja, um diplomata do Vaticano, em 1958, referindo-se-lhe, afirmou que raramente o católico influenciou o estadista e ainda que, os anos de perseguição da Primeira República à Igreja foram seguidos de trinta anos de omissão.

   A experiência traumática do anticlericalismo da Primeira República garantiu a Salazar o apoio, ou neutralidade cautelosa, do bispado. Porém, sem a vivência do anticlericalismo e na sequência a renovação doutrinal na Igreja, as novas elites católicas afastaram-se do regime alinhando alguns dos mais destacados ao lado da oposição nas eleições presidenciais de 1958.  

  Um dos pilares fundamentais do regime, a Igreja, perdeu consistência. Em contrapartida ganhou a oposição com o discurso crítico e a capacidade de mobilização e organização dos católicos. O teor legitimador da doutrina da Igreja mudou reforçando a erosão política do regime.

  A repressão do movimento operário, o fim do direito à greve, o controlo dos sindicatos e a redução dos gastos públicos garantiram a Salazar o apoio da elite económica. Em sentido contrário, a reforma tributária, a lei do condicionamento industrial e o corporativismo de Estado foram reformas geradoras de tensões com a mesma elite.

  A legitimação do regime de Salazar passava pelo afastamento deste dos “ricos”. Filho de feitor, atividade socialmente intermédia, bem longe da pobreza do proletariado rural da época, catedrático na universidade de Coimbra, Salazar afirmava-se filho de camponeses, um camponês. Chegou a referir a Christine Garnier dever à Providência a graça de ser pobre.

   Contudo Salazar não era rico nem fazia fretes aos “ricos”. A sua ascensão social e política fora demasiado árdua para se sujeitar à humilhação de serventuário do incipiente capitalismo nacional da época. As suas sólidas convicções nacionalistas, liberais e estatistas não lho permitiam.

   A convergência de interesses verificou-se no controlo do sindicalismo e na substituição do capital estrangeiro. O apoio do Estado Novo aos empresários nacionais estava condicionado ao interesse público dos seus investimentos.

   Por seu lado as Forças Armadas tiveram um papel decisivo na formação do Estado Novo uma vez que este surgiu, em 1933, na sequência da revolta militar do 28 de Maio de 1926 chefiada pelo General Gomes da Costa.

   A política de Salazar relativamente às Forças Armadas consistiu em manter as altas patentes afastadas da política cedendo-lhes, como contrapartida, as pastas relacionadas com a defesa; Marinha, Guerra/Exército e Aeronáutica/Força aérea.

   Como homenagem ao papel da Forças Armadas na criação e sustentação do Estado Novo reservou-lhes o cargo de Presidente da República o qual foi formalmente imbuído do poder de decidir a chefia do Governo (ficou célebre a declaração pública, “Obviamente demito-o”, de Humberto Delgado na campanha eleitoral para as presidenciais de 1958).

   Contudo, contra a oposição do Presidente Carmona e oficiais superiores das Forças Armadas, em 1936, e a pretexto da Guerra Civil Espanhola, Salazar assumiu a pasta da Guerra, reforçando a subordinação dos militares à sua política.

   A modernização das Forças Armadas, que Salazar considerava uma atividade digna e absorvente, implicou a renovação das respetivas chefias, justificada pela necessidade de lidar com os novos equipamentos e de pôr em prática as novas doutrinas de guerra.

   Como consequência, saiu reforçado o vínculo de lealdade das novas chefias militares que deviam a Salazar os respetivos cargos.

   Apesar de tudo Salazar nunca conseguiu controlar completamente estas elites, nomeadamente nos anos 30 e no período de 58 a 61. O forte espírito de corpo entre aquelas não lhes permitia tolerar castigos severos aos camaradas por motivos políticos.

   Os castigos aplicados em Portugal a oficiais envolvidos em golpes abortados, comparativamente com outros países, onde se praticava o fuzilamento, eram tradicionalmente leves. Talvez esteja aqui a explicação para a não expulsão do ativo do futuro Marechal, General Costa Gomes na sequência da “abrilada” falhada em 1961.

   Salazar mostrou-se muitas vezes cansado de gerir as elites monárquicas, republicanas e católicas. Contudo, no seu estilo conservador e autoritário, formou um governo compósito cooptando, amplamente, as elites disponíveis.


                                                         Salazar e Christine Garnier


Peniche, 6 de Junho de 2020
António Barreto

sábado, 4 de julho de 2020

Robin Williams

 
   A primeira vez que reparei em Robin Williams foi na comédia dramática realizada em 1987, “Bom dia Vietname”, onde, na pele do DJ Adrian Cronauer, é recrutado em 1965 para chefiar uma estação de rádio na frente de batalha vietnamita. A popularidade que granjeou junto dos soldados provocou a hostilidade do superior hierárquico direto, o segundo-tenente Steven Hauk, que, com artimanhas várias, lhe faz a vida negra. Este filme, realizado por Barry Levinson em 1987, conta com um outro extraordinário ator, de seu nome Forest Whitaker. Em 1988 Robin Williams foi indicado para o Óscar de melhor ator, tendo-lhe sido atribuído o Globo de Ouro.

   Contudo, foi o “Clube dos Poetas Mortos” que me deixou impressão indelével, pela qualidade da representação, na fronteira cómico-dramática e pelo conteúdo temático; rejeição de estereótipos, descoberta e afirmação da identidade pessoal, da capacidade ousar um olhar diferente sobre o mundo num contexto Carpe Diem. O filme foi realizado por Peter Weir em 1989 e conta no elenco com os conhecidos Robert Sean Leonard, e Ethan Hawke. Recebeu quatro indicações para os Óscares de 1990; melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro original e melhor ator (Robin Williams), quatro indicações para os Globos de Ouro, prémio BAFTA em 1990, e outros.

   Natural de Chicago, Illinois, Robin Williams nasceu em 21 Julho de 1951, filho de Laura Smith, ex-modelo de Nova Orleães, e de Robert Williams, ex-executivo da Ford no Médio-Oriente. Como a generalidade dos americanos Robin tem múltipla ascendência; inglesa, galesa e irlandesa por parte do pai e francesa por parte da mãe. Frequentou a Igreja Episcopal, cresceu no Michigan e na Califórnia onde fez o ensino secundário. Durante quatro anos frequentou o Claremont Mckenna College. Tem dois meio-irmãos Todd, já falecido e McLaurin.

   Foi selecionado para a famosa Julliard Schooll - escola superior de música, dança e dramaturgia de prestígio mundial - em 1973, num lote de vinte caloiros, e, juntamente com Christopher Reeve, um amigo para a vida, foi escolhido para o seu programa avançado, dirigido por John Houseman, onde aprendeu facilmente a dominar todos os dialetos que lá se ensinam. Permaneceu nesta escola até 1976.

   Ainda na década de 70, Robin Williams, popularizou-se em diversos programas de TV, destacando-se na comédia stand-up - ator só, em palco, sem maquilhagem nem adereços -, um género que manteve durante a carreira. Entre os cem melhores comediantes stand-up da história eleitos, Robin classificou-se em 13º lugar, tendo-lhe sido atribuído um Emmy.

   Com alguma participação de destaque em peças de teatro, como em “Esperando Godot” - de Samuel Becket - foi no cinema que Robin Williams fez a maior parte da sua carreira.

   No cinema, onde fez a maior parte da sua carreira, começou por fazer dobragens de voz em filmes de animação, como Alladin, Fern Gully, Artifficial Intelligence, Robots, Happy Feet, Everyone’s Hero e dum popular personagem da Walt Disney World de nome Timekeeper.

   The Fisher King, comédia dramática realizada em 1991 por Terry Gilliam, Perry ex-professor de história medieval sem abrigo - personagem de Robin William -, encontra-se com Jack Lucas - personagem do grande Jeff Bridges -, ex-astro da rádio de Manhattan, bêbedo em permanência devido a problemas de consciência por, involuntariamente, ter induzido um ouvinte a cometer múltiplo homicídio num bar, com quem estabelece amizade da qual resulta uma cumplicidade de aventuras erráticas e fantasiosas. Este filme valeu um Óscar de melhor atriz secundária a Mercedes Ruehi, no papel de mulher de Jack Lucas.

  Em Good Will Hunting, filme realizado em 1997 por Gus Van Sant, Robin contracena com o fabuloso Mats Demmon e ganha um Óscar de melhor ator secundário. Um filme memorável onde um jovem funcionário de limpeza duma universidade revela uma aptidão surpreendente para a matemática superior. Submerso em profunda turbulência emocional sob o permanente e insuperável sarcasmo que expressa agressivamente a quantos o rodeiam, perdidas todas as esperanças, os paradoxos do génio são finalmente expostos por um veterano psicólogo, ex-combatente do Vietname - Robin Williams - que, silenciosamente, sofre, a recente perda da sua mulher.

   Em 1998, protagoniza outro filme memorável, “Patch Adams”, realizado por Tom Shadiac, sobre a vida do médico que dedicou especial ênfase à animação dos seus pacientes. Foi este filme que popularizou o uso do nariz vermelho nos hospitais, um pouco por todo o lado, até aos dias de hoje.

   No ano seguinte, em 1999, Robin Williams, é a estrela de The Bicentennial Man and Other Stories, uma comédia dramática de ficção científica realizada por Chris Columbus, acerca de um robot que procura a sua liberdade. Um êxito de bilheteira com um Óscar de melhor maquilhagem cujo tema foi interpretado por Celine Dion.

   Hook (o regresso do Capitão Gancho) em 1991, Awakenings (Tempo de Despertar) em 1990, What Dreams May Come em 1990, Insomnia em 2002 com a participação de Al Pacino, ainda em 2002 o suspense psicológico One Our Photo e em 2006, The Night Listener, são filmes do género dramático protagonizados por Robin Williams.

   A espontaneidade criativa num registo cómico carregado de humanismo caracteriza o registo de ator que consagrou mundialmente Robin Williams. Vale sempre a pena ver os seus filmes. Qualquer deles. Nunca desilude.

   Entusiasta de videojogos, fã de ciclismo profissional, de râguebi e da equipa neozelandesa All Blacks e dos veículos ecológicos, Robin Williams casou com Valerie Velardi  em 1978, de quem teve um filho, “pulando a cerca” com Michelle Carter - uma empregada de mesa que o acusou de lhe ter pegado herpes -, tendo-se divorciado em 1988. No ano seguinte voltou a casar, desta vez, com a ama de seu filho Marcha Garces de quem teve uma filha e um filho, tendo-se divorciado novamente em 2008 devido a “diferenças irreconciliáveis”.

   Viciado em cocaína nos anos 70 e 80, alcoólico, Robin Williams frequentou um centro de reabilitação no Oregão. Doente cardíaco, substituiu a válvula aorta em 2009 numa clínica de Cleveland.

   Filantropo, Williams fundou, com sua ex-mulher Marsha uma fundação com a missão de recolha e distribuição de fundos a instituições de caridade. Participou em vários eventos de recolha de fundos com fins solidários, integrou espetáculos para as tropas americanas no Iraque e no Afeganistão e doou toda a receita do seu road-show para reconstrução da cidade de Christchurch, na Nova Zelândia destruída por um terramoto em 2010.

   Sofrendo de depressão profunda, Robin Williams suicidou-se por enforcamento em Agosto de 2014. As suas cinzas foram espalhadas na baía de São Francisco da Califórnia.

   Robin Williams, um “senhor” ator.

Robin Williams

Fonte, Wikipédia e outros
Peniche, 4 de Julho de 2020
António Barreto