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quarta-feira, 29 de maio de 2019

Portugal Traído: Do 25 de Abril ao 28 de Setembro (Fernando Pacheco Amorim)


Do 25 de Abril ao 28 de Setembro
(Síntese por António Barreto)      

  Chegada de Filipe I a Lisboa

   Este foi, talvez, depois de Alcácer Quibir, o período mais triste da História de Portugal. Nele se consumou a tomada do poder pelo Partido Comunista e, com sucessivas e múltiplas traições, se prepararam os territórios ultramarinos para os entregar incondicionalmente aos movimentos designados por aquele. O vermelho dos cravos representa o sangue dos portugueses, de todas as raças, assassinados; fuzilados, desmembrados, decepados e esventrados, em Moçambique, na Guiné, em Angola e, mais tarde, em Timor. Nada há de enaltecedor no golpe do 25 de Abril, apesar do foguetório demagógico e manipulador dos vencedores, ante um povo ingénuo, crente na proclamada liberdade e consequente progresso económico e social. Quarenta e cinco anos depois, o crescimento do PIB, não corrigido, foi de, aproximadamente, 150 % - 100 MM€ para 200 MM€ nominais - enquanto crescimento do endividamento público aumentou uns espantosos 1786% - de cerca de 14 MM€ para 250 MM€. Se algum tipo de liberdade ocorreu foi a de contrair endividamento público de forma quase ilimitada.
   Interessados em dar uma aparência de empenho numa democracia pluralista, os oficiais afetos ao PC com influência no diretório do Movimento, mantiveram António de Spínola na liderança. O comité de acompanhamento do Presidente da República coadjuvado por Costa Gomes,  tratava de fiscalizar a adesão das suas ações ao “Programa do MFA”. Os oficiais não marxistas - a grande maioria -, os Partidos autorizados - PS, PPD e CDS - por esta altura não se tinham apercebido da importância decisiva do General na implantação da democracia pluralista que defendiam, razão pela qual, no momento oportuno, não lhe concederam o apoio de que carecia. A superior habilidade tática dos comunistas, intacta nos dias de hoje, a todos levou a palma.
   Consciente da fragilidade do seu poder efetivo após o 25 de Abril, António de Spínola aceitou a situação, na perspectiva de, com o tempo, o recuperar e dar cumprimento à sua versão do programa do MFA, retirando o país do caos em que mergulhara.
   Libertados os oficiais presos na sequência do 16 de Março, verdadeiros promotores do Movimento, todos fiéis a Spínola, são por este chamados a desempenhar funções militares e políticas estratégicas: Almeida Bruno, Manuel Monge, Casanova Ferreira, Armando Marques Ramos e Virgílio Varela. Gil Freitas, Carvalhão e muitos outros. Chegado o momento assumiriam o comando do Movimento e da vida política do país.
   Verificou-se o contrário; no período que decorreu até Julho, o General, numa tenaz luta com a Comissão Coordenadora do MFA dominada pelo PC, foi perdendo influência ao ponto de se tornar inviável a prossecução do seu plano. No horizonte definia-se a necessidade de uma alteração constitucional ou da renúncia ao mandato presidencial.
   Pelo lado do Governo, o Primeiro-Ministro Palma Carlos, democrata de sempre e eminente Jurista, perante os condicionamentos que estavam a ser impostos ao Governo pelos militares afetos ao PC, com o acordo do Chefe de Estado e dos ministros do PPD, em reunião conjunta, condicionou a sua continuidade à realização dum referendo para legitimação do Chefe de Estado e elaboração duma Constituição limitadora da ação política até à realização da eleição das Constituintes.
   Discutidas as propostas pelos membros da reunião conjunta, a votação foi desfavorável às propostas de Palma Carlos por um voto; o de Costa Gomes, que tinha prometido ao Chefe de Estado e ao Primeiro-Ministro, apoiá-las. Em consequência, demitiu-se Palma Carlos, deixando assim a via aberta para os Partidos Comunista e Socialista, seu satélite, através da Comissão Coordenadora do MFA, instituírem um regime marxista em Portugal.
   Perante a derrota, o Chefe de Estado, numa derradeira tentativa de manter o controlo do Governo, chegou a indigitar para Primeiro-Ministro, Firmino Miguel, um oficial da sua confiança. Tentativa gorada pela forte oposição induzida pelo PC junto dos despolitizados oficiais com a alegação, partilhada pelo semanário Expresso, de que se tratava de um projeto de poder pessoal de António de Spínola. 
   Foi neste contexto que o Chefe de Estado, pressionado pela Comissão Coordenadora, por Costa Gomes e todas as correntes esquerdistas, se viu forçado a aceitar Vasco Gonçalves para Primeiro-Ministro. Íntimo amigo deste, Costa Gomes garantira a Spínola que ele não pertencia ao PC nem se deixaria condicionar por este na governação. À vitória da Comissão Coordenadora juntava-se o reforço da posição de Costa Gomes, que, assim, passou a contar com um velho aliado - “das suas sujas manobras políticas” - no coração do Governo. Estavam, finalmente, reunidas as condições que permitiram a Costa Gomes tecer a teia com que traiu o General Spínola e cujo epílogo foi o 28 de Setembro. Fiel ao PC e a Costa Gomes, Vasco Gonçalves foi o executor das suas estratégias de teor marxista que lançaram o caos económico e social no país.
   Num Governo repleto de marxistas, o Ministro da Justiça Salgado Zenha - membro do PS mas vinculado, clandestinamente, ao PC -, em nome da legalidade revolucionária, passando por cima da tramitação legal, dá ordens diretas de libertação dos prisioneiros. Milhares de bandidos, incluindo assassinos, são lançados nas ruas onde o PC os vai recrutar para as suas brigadas revolucionárias. Entre estes, conta-se Jean Jacques Valente, o executor do capitão Almeida Santos - implicado no Golpe de Beja -, por ordem do PC. Porém milhares de pessoas são detidas sem culpa formada, sem assistência judicial, médica ou religiosa, sem direito a visitas de familiares, alguns mesmo sem saber onde estavam presos. Defensor da legalidade democrática na oposição, o Ministro Zenha, mandou soltar criminosos e prender gente de bem que considerava membros de associações de malfeitores, habilidade jurídica que os remetia ao foro militar. Bandos de criminosos ao serviço do PC passaram a controlar as prisões interrogando os novos prisioneiros sobrepondo-se às autoridades competentes. Um autêntico bacanal de ilegalidade coroado com o despudor com que Salgado Zenha anunciou o fim dos prisioneiros políticos nas prisões portuguesas.
   Na frente externa, Mário Soares, Almeida Santos, Melo Antunes e Otelo, no silêncio das alfurjas, dispensando a consulta popular na questão ultramarina em franca violação com o estipulado no Programa do MFA, procede à liquidação dos territórios pondo fim a cinco séculos de presença portuguesa em África. A intensa atividade diplomática referida na imprensa da época traduziu-se numa abjeta traição aos povos portugueses, da metrópole e do ultramar. Na sua memória ficarão a pesar os milhares de mortos que em Moçambique, na Guiné e em Angola foram sacrificados, num ato de traição sem precedentes na História de Portugal.
   Em Lourenço Marques, a 7 de Setembro, na sequência da revolta popular provocada pelo infame desrespeito à bandeira portuguesa por parte de oficiais do MFA e soldados, Costa Gomes - ainda Chefe de Estado Maior das Forças Armadas - ordena o esmagamento da rebelião – instigando o recurso a bombardeamentos contra os revoltosos e apelando ao apoio das forças da OUA. Milhares de opositores da Frelimo e numerosas personalidades são enviadas para as prisões de toda a província, tendo-se registado um número de mortos superior a doze mil. Para a imprensa nacional e internacional, estes graves acontecimentos não passaram de pequenos incidentes provocados pelos fascistas com a intenção de sabotarem o processo de descolonização. Processo imposto aos portugueses para satisfação de interesses externos e da ânsia de poder dos autoproclamados democratas.
   Conscientes de que a população, branca e preta, tinha sido dominada mas não vencida, em Outubro, um banho de sangue selou o pacto diabólico, destinado a quebrar a moral da população inconformada. Na sequência da instalação do Governo Provisório da Frelimo, seis mil dos seus guerrilheiros, bêbados ou drogados, escoltados pelas forças marxistas do MFA, esquartejaram milhares de homens, mulheres e criança. Corpos humanos foram pendurados nos talhos e a avenida que conduz ao aeroporto foi “ornamentada” com cabeças humanas ­­­espetadas em paus. A acumulação de cadáveres no hospital Miguel Bombarda foi tal e em tais condições que levou às lágrimas os médicos de serviço e Joaquim Chissano, um dos corresponsáveis, cuja presença no local foi exigida por aqueles. Vitor Crespo - o garrafão com pernas nomeado comissário depois de, num ápice, ter passado de comandante a almirante - avalizou o plano assassino dos oficiais esquerdistas no terreno. As tropas portuguesas justificaram a passividade alegando tratar-se de um ajuste de contas entre moçambicanos. Do lado da Frelimo, os seus dirigentes, afirmavam não ter qualquer responsabilidade nos trágicos acontecimentos. Um ato macabro que deveria ter conduzido todos os seus responsáveis à barra do Tribunal Penal Internacional. Uma ferida perene sangrará na alma portuguesa.
   Na Metrópole, a imprensa relatou o episódio como uma consequência inevitável do processo de descolonização, anunciando 80 mortos e alguns feridos. As sempre ativas ONG, instituições religiosas, correspondentes estrangeiros e outros organismos defensores dos Direitos Humanos, permaneceram, covardemente, em silêncio. Mais tarde, os autores, da descolonização, classificá-la-iam como exemplar!
   Na Guiné, o Palácio do Governo é tomado pelo alferes miliciano comunista, Barros de Moura, e outros elementos do MFA, entre os quais Alfredo Barroso (cunhado de Mário Soares). O Governador, major Fabião - que ascenderia à chefatura do Estado-Maior do Exército -, claudica em toda a linha, avalizando todas as atrocidades cometidas até à assinatura do Acordo de Independência. As primeiras vítimas foram as milícias locais, constituídas por guinéus, (julgo que o autor se está a referir aos militares - entre os quais Marcelino da Mata - que constituíam as três companhias de comandos negros a operar no território). Depois de desarmados e condenados grande parte dos que ficaram fuzilados sumariamente. Ante a hostilidade da população ao PAIGC, este instala o Governo na povoação de Medina do Boé. Com o apoio das Forças Armadas portuguesas, as tropas do PAIGC transferem milhares de guinéus - entre eles cerca de 500 chefes tribais -, para a ilha das Galinhas, onde são eliminados diariamente, às centenas. Escaparam os que fugiram para o Senegal. Consumada a chacina, o traidor Fabião, incapaz de disciplinar as suas tropas, ordena a retirada com direito ao saque dos armazéns das Forças Armadas. À chegada a Lisboa, esta tropa canalha, atira borda fora as fardas, os guiões e as bandeiras nacionais. Foi esta mais uma trágica faceta da “descolonização exemplar” que quiseram impingir aos portugueses.
   A tragédia repete-se em Angola. Costa Gomes, mancomunado com os oficiais marxistas da Comissão Coordenadora do MFA e de acordo com os terroristas do MPLA, preparam uma armadilha a Silvino Silvério Marques, Governador-Geral de Angola, visando a sua demissão. Este, percebendo que o momento escolhido para a provocação de tumultos em massa era o da realização do campeonato do mundo de hóquei, muda-o para Lisboa, Apesar disso, acaba por se demitir na sequência de um pequeno incidente num cabaret de Luanda.
   Ficou assim a via aberta para Rosa Coutinho, pseudo almirante no cargo de alto-comissário, levar à prática, sem restrições, a tenebrosa agenda política do Partido Comunista. Instalando-se, numa primeira fase, no Palácio do Governo, ante a hostilidade popular, opta pelas instalações dum navio de guerra fundeado na baía de Luanda. É daí que dirige, impunemente, toda uma série de atos criminosos que culmina com a fixação em Luanda dos movimentos guerrilheiros. Destruição e mortes sangrentas, à razão diária de cerca de duzentas em Luanda, passam a fazer parte do quotidiano de Angola1. As populações em pânico fogem como podem, com a roupa que trazem no corpo. Desta vez, os tumultos não incomodam os traidores de Lisboa. Quando se realizou a conferência da Penina, já estava neutralizada a única força que se lhe poderia opor; os portugueses de todas as raças destroçados pela dor e pelo medo. Também em Angola, a descolonização nada teve de exemplar.
   Enquanto se procedia há liquidação do Ultramar - em escassos três meses -, na Metrópole desorganizaram-se os serviços públicos, paralisou-se a economia, fomentou-se a anarquia e sovietização da Forças Armadas e promoveu-se a desordem nas ruas, estabelecendo-o o caos de que só aproveitou o Partido Comunista.
    Foi neste período que se procedeu ao desmantelamento do tecido económico; ocupando e nacionalizando empresas, conduzindo outras à insolvência, prendendo empresários e técnicos e provocando o êxodo de muitos outros. A subida irracional dos salários imposta pelo Governo de Vasco Gonçalves e os constantes incitamentos à greve reduziu drasticamente a competitividade e a produtividade da economia, com reflexos dramáticos na balança comercial. Álvaro Cunhal, que no Governo supervisiona os assuntos laborais, comanda todo o processo; apresentando-se publicamente como moderador enquanto nos comités de fábrica incitava os trabalhadores a reivindicarem aumentos salariais, a acusarem os patrões de sabotagem e a ocupar as fábricas. Para não dar nas vistas, indigitou para ministro do Trabalho do Governo de Palma Carlos o semianalfabeto Avelino Pacheco Gonçalves - dirigente do sindicato dos bancários que, saído do Governo, chegou a professor de Direito da Universidade de Lisboa! Costa Martins, acusado num processo de estupro e violação e noutro de desvio de aviões militares para a Frelimo, é o indigitado por Cunhal para o mesmo cargo no Governo de Vasco Gonçalves. À conta do erário público, este membro do Governo Gonçalvista, criminoso de direito comum, dedica-se a uma vida ociosa e libertina, com o aval de Otelo Saraiva de Carvalho. A dirigentes, técnicos, professores, altamente qualificados, não resta outra alternativa que emigrar maciçamente. Desta forma se descapitalizou e se desqualificou o tecido empresarial. Foi o ponto zero da economia da 4ª República, que, ainda hoje, 45 anos depois, a fragiliza.
   António de Spínola, percebendo a teia mortífera para Portugal que estava a ser tecida pelo PC, tomou a iniciativa de se dirigir aos portugueses, denunciando a situação e apelando ao seu apoio numa manifestação a realizar na Capital em 28 de Setembro. Apesar do apoio da maioria das Forças Armadas, a manifestação da “maioria silenciosa” fracassou. Uma conjugação de fatores contribuiu para isso. Ao declarar-se determinado a conduzir o processo de Angola, a fim de impedir a repetição do flagelo das descolonizações de Moçambique e da Guiné, Spínola perdeu o apoio do lóbi euroasiático, representado no clube Bilderberg - uma corja de notáveis da finança, economia e política mundial que, sistematicamente, conspira contra os governos impondo-lhes, sub-repticiamente, as suas agendas - empenhado em “deitar a mão” às matérias-primas daquela colónia. Para os “revolucionários” controlados por Álvaro Cunhal, o mítico general do monóculo, deixara de ser útil, o interesse soviético estava em risco.
   Uma intensa campanha de propaganda contra a iniciativa presidencial, apelidando-a de reacionária, foi intensamente desenvolvida por Cunhal, com a cumplicidade duma comunicação social militante. Conforme as truculentas práticas comunistas, o falso patriota Cunhal, ordena a Otelo a prisão de 500 personalidades que considerava spinolistas. À boa maneira da velha PIDE, pela madrugada, centenas de pessoas – entre as quais Kaúlza de Arriaga e Franco Nogueira - são arrancadas das suas camas, por elementos do COPCON, da LUAR e das brigadas civis do PC, e conduzidas ao RAL 1 onde ficam detidas sob tutela do tenente comunista Dinis de Almeida.
   Quando Costa Gomes, Otelo e Vasco Gonçalves foram convocados para se apresentarem na Presidência da República, os líderes revolucionários entraram em pânico, convencidos da derrota; Cunhal refugiou-se na embaixada de Cuba donde passou a dirigir as operações e Soares, vindo de Paris, aguardava na fronteira o desfecho do processo, entrar ou não, em Portugal. Um oficial do Copcon, pateticamente, apresentou-se a Vasco Gonçalves, pronto a morrer pelo “Allende português”. Nas sedes dos partidos socialista e comunista destruiu-se a documentação.
   À ordem do PC, a canalha comunista ergueu barricadas nas estradas cometendo os maiores atropelos contra os cidadãos, não hesitando em metralhar quem calhava. Cobardes, quando mais tarde, já desfeita a manifestação, as forças armadas, por ordem de Galvão de Melo e Diogo Neto, se dirigiram às barricadas para acabar com as arbitrariedades, fugiram como ratos.
   No Palácio de Belém, sob a proteção de duas companhias de para-quedistas, desenrola-se toda a trama que conduziria à derrota de Spínola, mais uma vez traído por Costa Gomes. Este futuro Presidente da República, maquiavelicamente, montou uma trama que acabou por afastar da Comissão Coordenadora do Movimento das Forças Armadas, os generais fiéis a Spínola, Jaime Silvério Marques, Diogo Neto e Galvão de Melo. 
   Conhecedores do que se passava em Belém, o Regimento de Artilharia Ligeira 1e o Batalhão de Caçadores 5, forças afetas ao PC, decidem sair para sitiar o Palácio. Porem, acabam por cercar a praça do Campo Pequeno ao terem conhecimento que o Regimento de Cavalaria 7 e a Guarda Republicana, junto ao Palácio, tinham tomado posições para o defender. A Companhia de Comandos da Amadora, fiel a Spínola, aguardava ordens pronta para sair e a bater-se.
   Ante o risco da eminência duma guerra civil, consciente da falta de apoio externo e do risco de vida que corriam os prisioneiros de Dinis de Almeida, após longa discussão com o traidor Costa Gomes, a 30 de Setembro, António de Spínola, dirigiu-se ao país, alertando-o para o risco da deriva totalitária da revolução, anunciando a sua renúncia do cargo de Presidente da República.
   O Conselho Revolucionário das Forças Armadas, com que os oficiais marxistas queriam impor uma ditadura em Portugal, não se constituiu devido à objeção do movimento dos oficiais democráticos. Mas foram banidos os partidos não socialistas; o Partido do Progresso, democrata cristão, fundado por Fernando Pacheco Amorim, o Partido Liberal, constituído por dissidentes da Convergência Monárquica e do PPM, o Partido Trabalhista Democrático Português e o Movimento Democrático Português.
   A democracia anunciada não passou de um eufemismo com que se mascarou o totalitarismo socialista em marcha. O 28 de Setembro, pela mão do PC, representou uma derrota de Portugal, da Europa e do Mundo Ocidental perante o imperialismo soviético.
   “O que mata as civilizações não são as guerras, o sobrepovoamento ou a fome, mas o afastamento dos valores que as criaram e as justificam.”

Peniche, 10 de Maio de 2019
António Barreto

sábado, 20 de abril de 2019

Portugal Traído: o 25 de Abril


Portugal Traído

Fernando Pacheco Amorim

(Edição de Autor)
(anotado)
O 25 de Abril

  
A 17 de Março, após a traição da véspera, militantes do Partido Comunista contactam as mulheres dos oficiais presos prometendo libertá-los até dia 1º de Maio. Ao terem conhecimento, aqueles responderam preferir a prisão a serem libertados pelos comunistas. Nas fileiras do Movimento reina o medo de novas prisões.

   Encorajado pelo PC e coadjuvado por este e alguns camaradas, Otelo reorganiza o Movimento, formando uma nova Comissão Coordenadora. Dela fazem parte, Hugo dos Santos, Melo Antunes e Pinto Soares. Estes oficiais foram os canais do PC no Conselho dos Vinte. Hugo dos Santos fez o papel de ingénuo útil, dado o seu perfil político de direita.

   Pressionados pelos comunistas, que ameaçavam desencadear uma extensa ação de terrorismo no dia 1º de Maio visando o assassinado de algumas personalidades da vida política e social e ações de terrorismo indiscriminadas, os conjurados escolheram o dia 25 de Abril para o levantamento, bem como os respetivos chefes operacionais; Hugo dos Santos, Jaime Neves, Miquelina Simões e Otelo Saraiva de Carvalho. Tal como no 16 de Março, escasseiam as tropas aderentes.

   Apesar de ter conhecimento destas movimentações e dos reiterados avisos do Chefe de Estado, o Governo não tomou qualquer diligência, supostamente, em virtude da via informal da informação que lhe ia chegando. Na verdade não seria assim tão informal, já que um funcionário superior da DGS, pelas 18 horas do dia 24, informou o Ministro da Defesa Nacional, dr Silva e Cunha, de que na madrugada seguinte sairia um movimento militar. Este, não só não acreditou, como ameaçou de prisão o funcionário, poe duvidar da integridade das Forças Armadas. Atitude idêntica teve o Ministro do Exército, jogando bridge até cerca da uma hora da madrugada seguinte.

   Na madrugada de 25 de Abril dirigem-se para Lisboa algumas companhias - num total de oficiais entre 160 a 200, incluindo os de complemento, e cerca de 2000 soldados - mal equipadas; reduzidos veículos blindados, a maior parte das armas sem munições e grande parte dos soldados, recém-recrutados. Apesar disso e da fragilidade do plano estratégico - as forças não aderentes ou fiéis ao Governo, salvo exceções, não foram neutralizadas, nem se ocuparam os pontos-chave -, graças à adesão da população, o movimento foi um sucesso.

   A falta de preparação das forças revoltosas foi tal que pareciam contar com a passividade das forças leais ao Governo. Entre estas contavam-se o Regimento Motorizado de Lanceiros 7, a Guarda Nacional Republicana, todos os efetivos da DGS, e a maioria dos efetivos da Força Aérea e da Armada. Os sucessivos pedidos de autorização de intervenção, do diretor da DGS a Marcello Caetano, prometendo o domínio da situação até às 17 horas, foram recusados, com a desculpa de se pretender evitar um banho de sangue. A passividade de Marcello Caetano quebra o moral dos ministros enquanto a Força Aérea e Armada, aderem ao Movimento. FPA referencia a revista “insuspeita” espanhola Índice, a qual, por sua vez, assegura a existência de gravações das conversas entre a DGS e Marcello Caetano, ao longo do processo.

   A ideia prevalecente após o 16 de Março, de que a motivação do 25 de Abril fora a de libertar o país de uma ditadura e instituir uma democracia pluralista, escondia a verdadeira, a da derrota militar. Com a alteração do comando do Movimento na sequência do 16 de Março, o objetivo oculto, controlado pelos elementos afetos ao Partido Comunista, foi o de instaurar uma ditadura marxista no país.

   A disputa internacional entre o bloco euro-americano, por um lado, e o bloco russo, por outro, pelos territórios ultramarinos portugueses, acabou com a vitória destes. O PC tomara as rédeas da revolução adaptando-se às circunstâncias, recuando quando necessário e avançando quando possível. Tal como hoje, em 2019. Em 11 de Outubro de 1974, Otelo Saraiva de Carvalho, dá uma entrevista ao “Jornal do Brasil”, na qual disse: “Sim, o General travava o Movimento, tornava difícil o funcionamento da Revolução. Era preciso afastá-lo. Mas é justo dizer que não era o General que descumpria o Movimento do MFA. Acontece que antes do 25 de Abril os oficiais do Movimento acertaram o Programa com o General, porque precisavam dele. Então foram feitas muitas concessões, o Programa não saiu como queríamos. Os factos, porém demonstraram que estávamos certos, que não devíamos ter concedido. O que estamos fazendo é uma volta às inspirações iniciais do Movimento, o Programa como era antes, principalmente na descolonização e na política antimonopolista.” Otelo foi um dos “ingénuos úteis” do Movimento, usados pelo PC; uma velha tática que subsiste, quatro décadas depois.

  O Comandante Jorge Correia Jesuíno, Ministro da Comunicação Social do Governo de Vasco Gonçalves, camarada, admirador e colaborador do Almirante Rosa Coutinho, aderente tardio ao MFA, chegou a referir publicamente o arrependimento deste por ter-se comprometido com o pluralismo partidário; só o PC revelara a competência a rapidez e a pontualidade de que o governo Gonçalvista carecia para o exercício da governação! Todos os outros, PS, PPD e CDS, se mostraram de tal modo ineficazes que o seu contributo era considerado dispensável. Rosa Coutinho chegou mesmo a defender a constituição do MFA em partido representante de toda a sociedade civil! A disputa partidária pelo poder incomodava os militares, que viam preteridos os objetivos considerados prioritários. Tal era o empenho do MFA na democracia pluralista.

   O lobby euro-americano, decisivo no sucesso do 25 de Abril, acabou ultrapassado, sem o perceber, pela estratégia do Partido Comunista. Com efeito, as diligências realizadas pelo General Spínola no final de Março, asseguraram os apoios institucionais da comunidade ocidental, nomeadamente dos setores financeiro e político, ao programa do Movimento dos Capitães, que atualizara. D. António Ferreira Gomes defende o plano de Spínola na Santa Sé, obtendo a aprovação do Santo Padre. Thorsten Andersan, Diretor da Lisnave, emissário do General, através do célebre clube Bilderberg, reunido em Megève em França entre 19 e 21 de Abril, obtém o acordo geral, incluindo o do Secretário-Geral da NATO Joseph Luns. Finalmente, graças ao prestígio do General Spínola, estava aberta a via “verde” para o golpe revolucionário; Fundeada no Tejo, na véspera do 25 de Abril, uma esquadra da NATO dissuade os “ultras” - generais afetos ao Governo - de uma ação contrarrevolucionária. Previamente o Movimento dos Capitães tinha elegido um comité de acompanhamento de Spínola, constituído por Otelo, Garcia dos Santos, Lopes Pires e Vitor Crespo.

   Custa a crer como tantas altas individualidades se deixaram enganar pelo Partido Comunista! O caso é que, agentes ao serviço de Moscovo, que colaboravam secretamente com o comandante Conceição e Silva na Comissão de extinção da DGS, apoderaram-se de todos os documentos da NATO e muito outros altamente confidenciais. Quer Spínola, quer os Capitães, quer a comunidade ocidental, focados no derrube do regime, não se aperceberam das manobras subversivas dos comunistas, ou desvalorizaram-nas.

   Ofuscadas pelos mitos dos imperialismos, as populações dos pequenos países, especialmente urbanas, acabam por perder o sentido dos seus legítimos interesses, bem como a capacidade de avaliar as situações concretas e dos que falam em seu nome. Para FPA o 25 de Abril é exemplo pungente desta realidade ao propiciar a ascensão de uma classe dirigente medíocre, ignorante e imbecil. Um fenómeno que pode explicar-se pela identificação das massas com aquelas classes.

   FPA, arrasa os membros do primeiro Governo provisório referindo os casos de Vasco Gonçalves, medíocre oficial de engenharia e desequilibrado mental, do comandante Jesuíno, oficial de baixa patente na Marinha, inteiramente desconhecido nesta, do major Melo Antunes, oficial que nem pelo saber nem pelo sabre se distinguira, cujo plano económico de emergência fracassou e a quem foi atribuído, sem causa, a pasta dos estrangeiros, generalizando a todos os restantes membros do Governo: “em todos os postos de importância da vida do país se encontram militares medíocres, porteiros, delinquentes, lésbicas agressivas e prostitutas diplomadas”. Uma realidade cuidadosamente escondida da opinião pública internacional pelos que a controlavam na medida em que servia os seus interesses. A única vítima digna de lástima, terá sido o Povo Português.

   Portugal, consciente da sua dignidade, dos imperativos da sua cultura e da sua História e da importância da sua posição na sobrevivência do mundo livre, não quis enveredar pela via dos interesses e da chantagem bipolar, adotando, honradamente, a defesa dos princípios. “…a maioria dos dirigentes políticos dos dirigentes do Ocidente, não são, hoje, mais que marionetes nas mãos dos grandes interesses financeiros, indiferentes à defesa da nossa civilização, jogando com os interesses e a vida dos povos do mundo, com a frieza e a indiferença com que conduzem os seus negócios. Portugal foi vítima desses interesses e continuará a sê-lo se não assumir, após esta dolorosa experiência, o comado da sua própria história.”
Foto: Batalha de Alcácer Quibir

Peniche, 20 de Abril de 2019
António Barreto

terça-feira, 16 de abril de 2019

Portugal Traído O 16 de Março (notas 3)


Portugal Traído
Fernando Pacheco Amorim
(Edição de Autor)
                                                                                                      

  
 O 16 de Março
O Movimento dos Capitães decorria com o conhecimento geral. Apesar do conhecido propósito de derrubar do Governo, este limitava-se a acompanhar o processo vigiando discretamente alguns oficiais. O Capitão Clemente foi preso na Trafaria e Vasco Lourenço e António Ribeiro foram enviados para os Açores onde foram encontrar Melo Antunes, conhecido marxista. A expetativa do fracasso da insurreição, da qual eram corresponsáveis, fazia-os temer as consequências.


   Kaulza de Arriaga, ex-Governador Militar de Moçambique, propõe a Marcello Caetano um golpe de Estado contra a “velha guarda” militar fiel a Américo Tomaz. Os ventos da mudança tinham-se feito sentir; o Brasil, porta de entrada do grande capital em África, pela primeira vez abstivera-se numa votação da ONU contra a política colonial de Portugal.

   António de Spínola e Costa Gomes dissuadem a “velha guarda” de impor a Marcello Caetano o endurecimento do regime. Este, cria, pela primeira vez, o cargo de Vice-chefe de Estado-maior do Exército e, como reconhecimento, atribui-o a Spínola. A publicação de “Portugal e o Futuro”, autorizada pelo Ministro da defesa e, supõe-se, com o conhecimento de Caetano, provoca um abalo político nas altas esferas entre os defensores da autodeterminação e os da independência branca. A consequência foi a demissão de Costa Gomes e António de Spínola; este por ter escrito o livro, aquele por o ter autorizado e induzido em erro o Ministro. Tal foi imposto a Caetano pelo Chefe de Estado, após o conhecido episódio do “beija-mão” em que as altas patentes - exceto Kaulza de Arriaga, Silvino Silvério Marques e Jaime Silvério Marques - asseguraram apoio ao chefe do Governo.

   FPA considera que Marcello Caetano partilhava os pontos de vista dos generais insurgentes e que anuíra à ordem de demissão para manter o poder. Esta tese contraria os conteúdos de “O Depoimento”, em que Marcello apelida Spínola de fujão, e de “Portugal e o Futuro”, em que Spínola afirma que Caetano recusava uma solução política para a questão colonial.

   Veiga Simão, íntimo amigo de Spínola e com ligações ao Movimento dos Capitães através do Major Mariz Fernandes, faria a ponte destes com o Presidente do Conselho, provável causa da passividade deste na madrugada do 25 de Abril.

   Dá-se a última reunião plenária do Movimento dos Capitães, em Cascais, nas traseiras do restaurante “João Padeiro”, onde a Força Aérea e a Armada se recusam a participar no Movimento, garantindo neutralidade. Pela primeira vez é apresentado e aprovado o Programa do Movimento; uma comissão de cinco oficiais tinha sido incumbida de a redigir - coronel Vasco Gonçalves, major Charais, major Melo Antunes e capitães Hugo dos Santos e Pinto Soares. Há fortes indícios da interferência oculta do Partido Comunista, via Melo Antunes, com o qual mantém íntimo contacto. Costa Gomes colabora, desde o início, com a Comissão de Redação. O espírito de corpo e a impreparação política dos militares conjurados facilitou as infiltrações comunistas. A chefia do Movimento cai no General António de Spínola após renhida discussão na qual chegou a optar-se pela chefia deste, partilhada com Costa Gomes. Estava criada a primeira cisão no movimento dos capitães.

   Informado da decisão e do conteúdo do Programa, António de Spínola, alarmado com o teor marxista, altera-o e mostra-o a Costa Gomes. Para grande surpresa daquele, este disse nada saber sobre o Movimento ou o Programa. Insistindo Spínola - alegando que tinham sido ambos escolhidos para chefiar o Movimento -, Costa Gomes disse-se à margem de qualquer atividade revolucionária, lendo os documentos a título pessoal e concordando com as alterações efetuadas por Spínola. Dois dias antes da saída das tropas, Costa Gomes deu baixa ao Hospital Militar da Estrela onde se encontrava no 25 de Abril. A alcunha de Judas que lhe tinha sido atribuída pelos colegas no Colégio Militar ganhou consistência.

   A 15 de Março, Almeida Bruno, Casanova Ferreira, Manuel Monge, Otelo e Armando Marques Ramos, reúnem-se para ultimar os detalhes operacionais do pronunciamento marcado para dia 19. A unidade de Operações Especiais de Lamego comunica que tenciona entrar em ação, de imediato; Lochener Fernandes, comandante do Regimento de Cavalaria 6, indignado com a cerimónia do “beija-mão”, entregou o comando ao comandante da Região Militar do Porto e este, alarmado, ordenou o estado de prevenção rigorosa a todas as unidades. Lamego não acatou e decidiu agir. Face aos acontecimentos antecipou-se o golpe para dia 16.

   Seguiu-se, de imediato, a persuasão dos quartéis; A GNR não adere mas promete moderação em caso de receber ordem de repressão; adere a Escola Prática de Cavalaria de Santarém; a Escola Prática de Infantaria de Mafra não chegou a ser contactada em virtude de uma contraordem recebida pelo emissário, major Casanova Ferreira, ainda em Santarém.

   Manuel Monge e Jaime Neves dirigem-se ao Regimento de Cavalaria 7 da Ajuda onde contactam o respetivo comandante, coronel Romeiras. Este, surpreendido, fica de contactar Costa Gomes e António de Spínola antes de se comprometer. A resposta tranquiliza os emissários.

   Armando Marques Ramos segue para as Caldas da Rainha com a missão de assumir o comando do Regimento de Infantaria 5.

   Otelo Saraiva de Carvalho, incumbido de conduzir António de Spínola ao Porto, segue para casa. A pouca importância da missão e o facto de não ter chegado a concretizar-se, livrá-lo-ia da prisão e valer-lhe-ia o convite do PC para encabeçar o movimento decapitado.

   Contrariamente ao prometido, o coronel Romeiras informa o ministro do Exército Andrade e Silva da rebelião. O Regimento de Cavalaria 7 tinha sido escolhido para posto de comando dos revoltosos, onde, chegado o momento, se dirigiria Costa Gomes. No Porto, de reserva noutro posto de comando, ficaria António de Spínola. O Governo toma providências comprometendo o golpe. Alguns helicópteros são colocados em Monsanto prontos a descolar para Espanha com o Chefe de Estado e seus fiéis. O Chefe do Governo e a sua equipa confiavam na convergência dos propósitos dos sublevados com os seus objetivos

   Ante o alerta do coronel Romeiras, os responsáveis da insurreição em Lisboa decidem cancelar a ordem de saída. A contraordem chega tarde ao Regimento das Caldas da Rainha, onde o capitão Virgílio Varela tinha assumido o comando depois de ter prendido o respetivo comandante.

   E é assim que, pelas 4 horas da manhã, sai de Caldas da Rainha uma coluna militar com abundante material pesado, cerca de duzentas praças e vários oficiais, com destino ao aeroporto da Portela, comandada pelo capitão Armando Marques Ramos coadjuvado pelo tenente Vitor Carvalho. Casanova Ferreira e Manuel Monje, apercebendo-se do movimento, vão ao encontro da coluna e convencem o seu comandante a retroceder. No regresso cruzam-se com algumas tropas da GNR que não intervém. O ambiente de euforia que encontram à chegada ao quartel, onde se espera a entrada em ação das outras unidades, foi esmorecendo com o passar do tempo. Ao meio-dia o Regimento é sitiado por forças comandadas pelo brigadeiro Serrano, segundo comandante da Região Militar de Tomar, das quais fazem parte os Regimentos de Infantaria 7 e 15, a Escola Prática de Cavalaria, a Guarda Nacional Republicana e a Polícia de Segurança Pública. Pelas 18 horas, após infrutífero diálogo, o brigadeiro Serrano, frente às tropas de infantaria 7, entra no quartel e manda prender todos os trinta e três oficiais que lá se encontram. Destes, vinte e dois são entregues no Regimento de Artilharia Ligeira 1, em Lisboa, e os restantes, considerados os mais perigosos, seguem para a Casa de Reclusão do Governo Militar de Lisboa, na Trafaria, onde já se encontra preso o tenente-coronel Almeida Bruno, detido na Academia Militar. Armando Marques Ramos e Virgílio Varela fazem parte do segundo grupo.

   Segundo FPA, o fracasso do golpe não se deve à denúncia do coronel Romeiras mas à traição dos oficiais comprometidos com o Partido Comunista. Estes, com influência no Movimento, não controlavam o respetivo comando. A não transmissão da contraordem aos conjurados do Regimento das Caldas da Rainha, na sua maioria spinolistas, teria tido o objetivo de os afastar do Movimento; com os principais operacionais presos, o Movimento ficou decapitado e o caminho livre para o Partido Comunista lhe dar um líder marxista.

   O fracasso do 16 de Março liquidou a esperança de uma verdadeira renovação política do país; os oficiais presos representavam a oficialidade combatente, a que melhor representava o pensamento e a vontade das forças armadas. Os jovens capitães não marxistas, que tinham lutado com abnegação, que tinham aderido ao Movimento cheios de boas intenções, foram traídos por forças cujas existência ainda desconheciam; uns foram presos, outros exilados. Chega a ser comovente como nem sequer se tenham apercebido que estavam a ser manipulados.

FPA termina o capítulo com a convicção de que, no final deste processo, sairia um Portugal Renovado pela ação de civis e militares. E saiu, com o 25 de Novembro, iniciando um ciclo que, hoje, em 2019, parece velho e esgotado.
 Foto: Catedral de Zamora, onde D. Afonso Henriques se coroou Rei de Portugal
Peniche, 16 de Abril de 2019
António Barreto