sábado, 6 de outubro de 2018

Assédio provocado

   Esta questão do assédio é mais um tipo de "Cavalo de Troia", configurando o machismo inverso, também designado por feminismo. A luta secular pela emancipação feminina, é, sobretudo, um dos feitos das sociedades modernas fundadas nos Direitos Humanos, na Igualdade de Oportunidades, na abolição de qualquer tipo de descriminação que não ponha em causa o Estado de Direito, no direito de autodeterminação do indivíduo. O caso da criminalização do assédio, visando, teoricamente, os abusos masculinos, transformou-se imediatamente, numa arma do ressabiamento feminista, manipulada por forças políticas determinadas a operar a desconstrução social vigente, necessária à progressão das respetivas ideologias. A penalização unívoca e excessiva do assédio masculino opera uma inversão no papel do relacionamento amoroso homem-mulher,transformando o homem, pelo medo, no elemento passivo. Com o medo de ir parar à prisão, o homem acabará por limitar-se a esperar a iniciativa da mulher - sendo que, quanto a mim, deverá ter sempre uma declaração de consentimento pronta a assinar para prevenir acidentes futuros. A mulher ganha ascendente perpétuo relativamente ao homem; a qualquer momento pode declarar-se vítima de violência doméstica ou sexual, destruindo a reputação de qualquer homem. Ora isto é inadmissível. Dizem algumas por aí que a mulher vestindo-se como entende tem que ser respeitada. Mas não é assim; em sociedade, a liberdade natural individual é limitada pela liberdade dos outros. Uma mulher não vai de biquini para a igreja, nem de topless para as aulas, nem de vestido de noite para a praia. Os seres humanos, homem ou mulher, pela sua natureza, estão sujeitos a atos compulsivos, mais ou menos difíceis de controlar. Então, quando uma pessoa, homem ou mulher, quer prevenir o assédio, deve usar indumentária discreta, conforme a regra comum, ou juntar-se a grupos que adotem posturas mais ousadas entre si. Afinal, talvez seja por causa disto que as mulheres árabes usam burka.


Henry Matisse; Danseuse dans le fauteuil, sol en damier, 1942

Peniche, 6 de Outubro de 2018
António Barreto

















































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































































Da liberdade política


Geração Perdida

(Aldous Huxley; Livros do Brasil)

…”Quem é livre por causa da liberdade politica? Ninguém. Nunca houve maior fraude na História. E quando se pensa na esperança dos pobres rapazes como Shelley, é patético, realmente patético. A liberdade política é uma fraude, porque o homem não vive a vida sendo político. Passa a vida a dormir, a comer, a divertir-se um pouco e a trabalhar, sobretudo a trabalhar. Quando eles conseguem toda a liberdade política que queriam – ou descobriram que não queriam – é que começam a compreender isso.”
 
 
(Peniche, pela Margina Norte) 

Peniche, 06 de Outubro de 2018

António Barreto

Geração Perdida (notas)


Geração Perdida

(Aldous Huxley; Livros do Brasil)
(notas)
 

  Um tremendo vazio emerge do universo decadente e sem esperança com que o “príncipe das letras” Aldus Huxley, caracteriza a sociedade cosmopolita inglesa do pós- primeira Grande Guerra.

“-A vida, eis a grande coisa, a coisa essencial. Deve haver vida na arte, senão a arte nada vale. E a vida, só sai da vida, da paixão, do sentimento; não pode nascer de teorias. Por isso é que é estúpida toda essa história da arte pela arte, de emoções estéticas, de valores puramente formais, etc…..

…-Como é que pode ter o descoco – perguntou, largando a vítima mas mantendo-se ameaçadoramente de pé junto dela – de tocar sequer em qualquer coisa que procure ser decente e grande? – Todos estes anos, estes anos miseráveis de pobreza, de luta e corajosa esperança, malogros e repetidas decepções, e agora este última desastre, o mais completo de to(dos. – Tremia de cólera, esquece-se a infelicidade quando a raiva se apodera de nós.”
 
 
(Peniche, da Marginal Norte)
 

Peniche, 06 de Outubro de 2018

António Barreto

sábado, 22 de setembro de 2018

Falsa solidariedade

   

O extrato que publico abaixo ilustra a desorientação que se instalou entre os líderes europeus, bem como as armadilhas das democracias europeias, perdidas nos seus equívocos doutrinários, como o absurdo a que assistimos de, em nome da tolerância e da solidariedade, imporem às suas populações, povos carenciados mas intolerantes que, com a ajuda do próprios Estados de acolhimento praticarem o estupro e o assassínio das suas populações.
    A tão propalada cultura europeia de solidariedade para com os imigrantes, na escala em que se está a verificar, não passa de uma estratégia de poder de certos setores políticos, apoiados na doutrina da globalização e inerente supressão dos Estados-Nação, e na perspetiva de alargamento da sua base eleitoral de apoio. A traição reside no facto de os líderes europeus  mostrarem estar dispostos a sacrificar o seu povo às aspirações políticas próprias. A solidariedade é apenas instrumental. Vejamos este caso ilustrativo:
 
   "Entretanto, as autoridades eleitas e os burocratas continuam a fazer tudo o que podem para tornar a situação tão má quanto possível, o mais depressa possível. Em outubro de 2015, houve uma reunião pública na pequena cidade de Kassel, no Estado de Hesse. Oitocentos imigrantes deveriam chegar nos dias seguintes e, por conseguinte, residentes preocupados marcaram uma reunião para fazer perguntas aos seus representantes. Como um registo em vídeo da reunião mostra, os cidadãos estavam calmos, eram educados, mas preocupados. Então, a certa altura, o presidente daquele distrito, um tal Walter Lubke, informou-os calmamente de que todos os que não concordassem com aquela política eram livres de "abandonarem a Alemanha"....Novas populações inteiras estavam a ser levadas para o seu país e era-lhes dito que, se não gostassem disso, estavam sempre livres para se ir embora?...
...Toda uma classe política fracassou na sua capacidade de avaliar que muitos de nós que vivemos na Europa, amamos a Europa que era nossa. Não queremos que os nossos políticos, por fraqueza, ódio a si mesmo, cansaço ou desistência, transformem a nossa casa num lugar totalmente diferente. E enquanto os europeus podem ser quase infinitamente compassivos, nós podemos não seu igualmente ilimitados. O público pode querer muitas coisas contraditórias, mas não perdoará aos políticos se - seja por acidente ou desígnio - eles mudarem o nosso continente por completo.....Prisioneiros do passado e do presente, parece que, afinal, para os europeus não há quaisquer respostas decentes em relação ao futuro."

(Douglas Murray, A Estranha Morte da Europa)
(A Dança da vida, Edvard Munch)

A utopia do Absoluto

   "Muita da miséria política da Europa do século XX adveio de um esforço secular, contemporâneo, de chegar a um absoluto político. Na verdade, uma das coisas que tornou o marxismo tão semelhante a uma religião não foi apenas a sua dependência de textos sagrados e de uma progressão linear de profetas, mas o hábito da cisão e da guerra inter-religiosa. A luta para ser detentor da chama mais autêntica e o mais genuíno interprete da fé foi uma das suas facetas atraentes, bem como uma das suas eventuais fraquezas. Mas o sonho de Marx e, a partir de Marx os sonhos do comunismo e do socialismo, foram as tentativas mais sinceras do seu tempo para apresentar e pôr em prática uma teoria de tudo. Os incontáveis escritos, panfletos e evangelismos em todos os países da Europa foram uma tentativa mais de sonhar um sonho com significado, capaz de solucionar tudo e tratar dos problemas de todos. Foi, como T. S. Eliot notavelmente descreveu, um esforço para "sonhar com sistemas tão perfeitos que ninguém precisará de ser bom".....
...E tudo o que vinha da Rússia e do Bloco de Leste - as histórias que eram tão contínuas e similares que apenas poderiam ser descartadas pelos crentes mais beligerantes - mostrava que, se o comunismo tinha sido um pesadelo para o mundo, fora uma catástrofe para o povo que afirmava governar....
....Mas os milhões e milhões de cadáveres, de vidas desperdiçadas - vivas ou mortas - que o comunismo deixara como testemunho da sua principal realização, eram suficientes para fazer parar qualquer crente são. Restaram alguns verdadeiros crentes, como o historiador britânico Eric Hobsbawm, mas o mundo em geral reagiu, em relação a eles, com a incredulidade reservada a alguém que, erguido sobre uma pilha de cadáveres, prometesse que, com mais algumas mortes, poderia endireitar tudo."
 
(Douglas Murray, A Estranha Morte da Europa)

O vazio existencial europeu e a Arte..

   "Na Alemanha, mais do que na maior parte das sociedades, não existe nada que preencha o espaço deixado pela perda de Deus. Lá, parte da finalidade da religião - em particular, a perseguição da verdade e o conhecimento que deveria ser perseguido - continuou de alguma forma através da filosofia e da cultura nacionais. Porém, estas também entraram em falência, ainda mais espetacularmente que a religião. De Ludwig Feuerbach e outros, Richard Wagner retirou a noção de a arte começar onde a religião abandonara, na convicção de que a arte poderia ser mais do que o substituto da religião - de que poderia ser ainda melhor do que a religião......
....E isso falhou, mais visivelmente, porque o mundo inteiro - justamente ou não - poderia ficar a saber pelo próprio Wagner que a cultura por si mesma não consegue tornar alguém feliz ou bom."
 
(Douglas Murray, A Estranha Morte da Europa)