sábado, 4 de novembro de 2017

Johnny Cash sings "Man In Black" for the first time (with intro)

O Contributo de Jesus Cristo no progresso humano



  
É, sem qualquer dúvida, a consciência da minha profunda ignorância e a convicção da transitoriedade do conhecimento, que propulsiona a minha curiosidade na demanda de mim próprio e do mundo "caminhando" com as minhas próprias ferramentas. Astronomia, cosmologia e física Quântica são matérias que me fascinam. Posto isto, uma breve introdução; O racionalismo funda-se no iluminismo, e este, no Renascimento que por sua vez nasce bem no coração da Igreja Católica. É verdade! A extraordinária prosperidade do comércio veneziano e florentino associada à sumptuosidade da hierarquia eclesiástica católica, ao contributo de mecenas como os Médicis e outros mercadores, em simultâneo com o esbulho dos camponeses e a infame perseguição dos hereges de que resultou a criação dessa aberração criminosa que foi a Inquisição - extinta em Portugal, apenas, em 1842, e de que hoje, ainda há vestígios - gerou um movimento estético na história da humanidade. fundador da modernidade, com o contributo difusor dos Descobrimentos Portugueses. Ateliers e estúdios de homens de arte proliferaram em Florença, Veneza e Roma, e daí para toda a europa, com enaltecimento da história de Jesus Cristo. Ninguém fica indiferente perante a Pietá, o teto da Capela Cistina, ou a arte sacra das telas de Leonardo da Vinci, de Miguel Angelo ( A Últuma Ceia), de Paolo Varonese (Deposição de Cristo), de Giorgio da Castelfranco, de Boticelli, Ticiano ( A Coroação), Tintoretto (A última Ceia). Nesses ateliers, na boa tradição helénica, fermentaram os temas profanos, da física, da geometria, da aritmética, da astronomia. Da Vinci e outros, desenhou novas máquinas de guerra, máquinas agrícolas e até de locomoção. Um processo que alastrou até aos nossos René Descarts com o seu Discurso sobre o Método, Jean Jaques Rousseau com o seu Contrato Social, Immanuel Kant com a sua Crítica da Razão pura e muitos outros criadores dos alicerces das sociedades modernas, fundadas na confiança do Homem na sua própria razão e consequente “libertação” dos dogmas católicos condicionadores da ação dos cidadãos e dos regimes políticos, eminentemente teocráticos, até à Revolução Francesa de 1789. Porèm, não deve confundir-se a mensagem de Jesus Cristo, Homem, com o comportamento abjeto da Igreja Católica na Idade Média. Ora, então, o desenvolvimento científico subsequente ao iluminismo, proporcionou o desenvolvimento tecnológico e com este, proliferação da produção de bens alimentares, a explosão demográfica - de cerca de 800 milhões de habitantes na Terra no final do século XIX para os cerca de 6,5 mil milhões no final do século XX -, o aumento da esperança média de vida, o conforto, e a proliferação de toda a espécie de bens, essenciais e supérfluos, afinal, convertidos nos novos dogmas da ciência e da tecnologia, que as economias tornaram invioláveis. Um absurdo de que devemos tomar consciência por reverter os princípios da racionalidade, fundadores do iluminismo. Na verdade, quer a expansão demográfica, quer a tecnológica, colocam hoje em risco, não só a sobrevivência do homem, como a do próprio planeta. Aqui chegados, é para mim claro desde há uns bons anos, que, se a ciência e a tecnologia mudaram o meio, a natureza humana permanece inalterada; instinto de sobrevivência, e de domínio territorial e social prevalecem como os principais “driveres” da ação dos homens, com seu cortejo injustiça e desumanidade.  

   E é precisamente aqui que entra Jesus Cristo. É ele que nos diz para amarmos o próximo como a nós mesmos. Reparem, não se limita a dizer-nos, como Saramago, para perguntarmos ao outro: - E você quem é? Recomenda-nos que amemos os outros como a nós próprios! Ao fazê-lo revoluciona a principal motivação da ação individual, atenuando ou neutralizando a sua própria natureza profunda; cooperar com o outro em vez de o subjugar. É esta a base das sociedades modernas; só vingam assentes no respeito “amor” pelo outro. Mas não ficou por aqui; a universalidade é também a matriz da mensagem de Cristo; numa época em que proliferavam as organizações tribais fechadas em si próprias, Jesus Cristo dirigiu-se a todos sem distinção; gentios, ímpios e Blasfemos!, recordemos aquela mulher, oriunda de outra comunidade - gentia -, procurou Jesus, cheia de fé, pedindo-lhe uma graça; perante a rejeição dos que o rodeavam, Cristo, num gesto convicto, fez-lhe o milagre, mostrando que, no seu “reino” não há lugar à exclusão. Lindo! Maravilhoso!, Finalmente, é Jesus que, perante os nossos erros - “pecados” - nos possibilita a reconciliação connosco próprios - e “Deus”. A convicção de que, o arrependimento sincero nos permite readquirir a inocência e a oportunidade do trilhar os caminhos do bem. Em suma; é este mecanismo introduzido por Jesus Cristo que permite ao Homem sair da sua condição de besta e assumir a sua condição de “filho de Deus”, ou “filho do bem”. Deu-nos uma nova referência de vida; o respeito do outro baseado no amor e não no medo. Isto, é, quanto a mim, o essencial da mensagem de Jesus Cristo, Homem ou Deus. Quanto às Igrejas, confesso, que tenho sempre o pé atrás, apesar de admirar alguns santos. 
 
(Deposição de Cristo, Paolo Varonese)

Peniche, 04 de Novembro de 2017

terça-feira, 17 de outubro de 2017

A insustentabilidade das causas antropogénicas do "Aquecimento Global".


 
 
   O site "Climate Change is Natural" publica trabalhos através dos quais, os respetivos autores de origens diversas, concluem, que o impacto  no efeito de estufa do aumento da concentração do CO2 na atmosfera é marginal e foi sobreavaliado pelo IPCC.
 
Thus, all evidences suggest that the IPCC GCMs at least increase twofold or even triple the real anthropogenic warming. The GHG theory might even require a deep re-examination.”


http://notrickszone.com/2017/10/16/recent-co2-climate-sensitivity-estimates-continue-trending-towards-zero/#sthash.2htwN7lL.2nHXzGjN.dpbs

domingo, 13 de agosto de 2017

Pedrógão Grande e a Liberdade


  A tragédia de Pedrógão Grande remete-nos para o drama da Guerra Colonial. Trilhar o mato de arma em punho, sentidos alerta, prontos a matar para viver, constituía o terror de todos os jovens da época. Transitar, hoje, numa qualquer estrada nacional, atemoriza qualquer um perante o risco de ser apanhado num incêndio mortífero.
  Nunca, antes de Pedrógão Grande, ficou exposta com trágica evidência, a solidão, o abandono a que são votados os cidadãos perante a inevitabilidade da morte, entregues a si próprios, indefesos, à mercê das chamas. Perceber o fim, sem lhe poder resistir, caminhar, compulsivamente para ele, em muitos casos acompanhado dos entes queridos, é dor que a imaginação não alcança, nos suscita solidariedade e angústia, e nos devia humanizar. Estas pessoas são dignas de recolhimento e do luto de todos. Inútil, talvez, mas um bálsamo para os seus familiares e sobreviventes. Um tempo de reflexão para todos.
   Deprimente foi o desfilar de entidades múltiplas, em que esteve patente, desde a primeira hora, a preocupação de preservação geral da imagem pública e da hierarquia, a alusão precipitada a causas extraordinárias do sinistro, a falsa garantia de total empenho das forças de proteção, a resistência injustificada à divulgação de informação, a cruel responsabilização das vítimas aludindo a hipotética curiosidade e desrespeito destas de ordens das autoridades, a relutância na assunção de responsabilidades, culminando com a “programada” ida para férias do senhor Primeiro Ministro, que mais pareceu destinar-se à atenuação do desgaste político da sua  imagem perante a opinião pública.
   Tudo isto, explícita ou implicitamente, mostrou como a preservação da dignidade dos cidadãos, objetivo constitucional primordial está, atualmente secundarizado, subordinada à disputa do poder das novas oligarquias. Uma distorção que afastou governantes de governados e que terminará em opressão ou revolução se os mecanismos democráticos não a corrigirem. A tentação do despotismo é uma condição permanente do homem e dos grupos sociais que constitui, que nenhum regime político consegue, por si só, suprimir. Só instituições democráticas independentes e fieis à Declaração Universal dos Direitos do Homem a pode controlar. Os sinais de falência institucional têm sido sucessivos e cumulativos, abalando os pilares do regime, essencialmente, por revelarem um défice de cultura democrática e de valores morais de grande parte das elites, sem os quais, nada funciona.
   Quando se subjugam os cidadãos com a interminável escalada tributária sem que se revele empenho no combate à corrupção e ao esbanjamento de dinheiros públicos, recusando, muitas vezes, o escrutínio político, outras, pondo em causa a ação dos Tribunais, revela-se a total ausência de respeito pela dignidade daqueles e falta de sustentabilidade democrática do regime.
   A Falência sucessiva de entidades bancárias e na estrutura empresarial em geral, acompanhada de declaração de impotência das autoridades de supervisão, deixa os cidadãos, empregados e empregadores, entregues à sua sorte, ao instinto, à perspicácia, à permanente incerteza da retribuição do seu trabalho, do qual, o Estado, indiferente, a bem ou a mal, não se dispensa de colher os seus frutos. Um ambiente de terrorismo económico e fiscal que, a persistir, acabará, mais tarde ou mais cedo, num baixar de braços generalizado.

   Aumentar continuamente a idade da reforma introduzindo simultaneamente crescentes dificuldades ao exercício das profissões, conduzindo à exclusão profissional e social precoce dos cidadãos, revela profundo cinismo, oculto poe pretextos  múltiplos, como os da produtividade e da proteção ambiental.
   Julgo que já se disse tudo sobre as causas dos incêndios; aumento das temperaturas máximas, abandono rural, ação criminosa, insuficiência de meios de prevenção e combate, errado planeamento e gestão florestal, resistência ao estabelecimento de centrais a biomassa, etc. Adivinha-se nova escalada de constrangimentos para os proprietários, em grande parte, vítimas da incúria do Estado na sua obrigação de proteção de bens, mas também do ódio ancestral de alguma classe política, que, pacientemente, aguarda, há décadas, o momento de novos avanços pela coletivização da propriedade.
   Tenho porém, para mim, que, uma das causas remotas do abandono do interior se deveu à revolução liberal - 1820 a 1834 - na sua sanha de aniquilamento da aristocracia, que sustentava o antigo regime, expropriando-lhe o património ou eliminando-lhes a possibilidade de preservação do mesmo, abolindo a lei do morgadio. Com as sucessivas gerações, a propriedade rural, em geral, tornou-se economicamente inviável. Inevitável o abandono.
   Mas também a Revolução Industrial, ainda em curso; a compulsão do desenvolvimento tecnológico e da produtividade, a industrialização da produção alimentar e a produção agrícola intensiva, a predominância da economia dos serviços, constituem as causas mais remotas e persistentes do fenómeno.
   A dinâmica económica europeia atual, por vezes, remete ao paradigma futebolístico; daquelas equipas que têm um ataque exuberante e uma frágil defesa. Avançada tecnologia e abandono do mundo rural, conduzindo-nos à reavaliação da importância da fisiocracia.
Mais importante que a riqueza monetária de uma nação é a preservação da dignidade das suas gentes. Do património humano. E isso é, tão-somente, uma questão de cultura. E são as elites, acima de todos, que têm a responsabilidade de a demonstrar, pela sua ação e omissão. E é aqui que o atual regime falhou rotundamente apesar de todas as "juras" de amor à Liberdade.

Peniche, 13 de Agosto de 2017
António Barreto