quinta-feira, 26 de outubro de 2017
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
terça-feira, 17 de outubro de 2017
A insustentabilidade das causas antropogénicas do "Aquecimento Global".
O site "Climate Change is Natural" publica trabalhos através dos quais, os respetivos autores de origens diversas, concluem, que o impacto no efeito de estufa do aumento da concentração do CO2 na atmosfera é marginal e foi sobreavaliado pelo IPCC.
http://notrickszone.com/2017/10/16/recent-co2-climate-sensitivity-estimates-continue-trending-towards-zero/#sthash.2htwN7lL.2nHXzGjN.dpbs
“Thus, all
evidences suggest that the IPCC GCMs at least increase twofold or even triple
the real anthropogenic warming. The GHG theory might even require a deep
re-examination.”
http://notrickszone.com/2017/10/16/recent-co2-climate-sensitivity-estimates-continue-trending-towards-zero/#sthash.2htwN7lL.2nHXzGjN.dpbs
domingo, 13 de agosto de 2017
Pedrógão Grande e a Liberdade
A tragédia de Pedrógão Grande remete-nos para o drama da Guerra Colonial.
Trilhar o mato de arma em punho, sentidos alerta, prontos a matar para viver,
constituía o terror de todos os jovens da época. Transitar, hoje, numa qualquer
estrada nacional, atemoriza qualquer um perante o risco de ser apanhado num incêndio mortífero.
Nunca, antes de Pedrógão Grande, ficou exposta com trágica evidência, a
solidão, o abandono a que são votados os cidadãos perante a inevitabilidade da morte, entregues
a si próprios, indefesos, à mercê das chamas. Perceber o fim, sem lhe poder
resistir, caminhar, compulsivamente para ele, em muitos casos acompanhado dos
entes queridos, é dor que a imaginação não alcança, nos suscita solidariedade e
angústia, e nos devia humanizar. Estas pessoas são dignas de recolhimento e do
luto de todos. Inútil, talvez, mas um bálsamo para os seus familiares e
sobreviventes. Um tempo de reflexão para todos.
Deprimente foi o desfilar de entidades
múltiplas, em que esteve patente, desde a primeira hora, a preocupação de
preservação geral da imagem pública e da hierarquia, a alusão precipitada a causas extraordinárias do
sinistro, a falsa garantia de total empenho das forças de proteção, a resistência injustificada à divulgação de informação, a cruel responsabilização das vítimas
aludindo a hipotética curiosidade e desrespeito destas de ordens das
autoridades, a relutância na assunção de responsabilidades, culminando com a “programada” ida para
férias do senhor Primeiro Ministro, que mais pareceu
destinar-se à atenuação do desgaste político da sua imagem perante a opinião pública.
Tudo isto, explícita ou implicitamente, mostrou como a preservação da
dignidade dos cidadãos, objetivo constitucional primordial está, atualmente
secundarizado, subordinada à disputa do poder das novas oligarquias. Uma distorção que afastou
governantes de governados e que terminará em opressão ou revolução se os
mecanismos democráticos não a corrigirem. A tentação do despotismo é uma
condição permanente do homem e dos grupos sociais que constitui, que nenhum regime político
consegue, por si só, suprimir. Só instituições democráticas
independentes e fieis à Declaração Universal dos Direitos do Homem a pode controlar. Os sinais
de falência institucional têm sido sucessivos e cumulativos, abalando os
pilares do regime, essencialmente, por revelarem um défice de cultura
democrática e de valores morais de grande parte das elites, sem os quais, nada
funciona.
Quando se subjugam os cidadãos com a interminável escalada tributária
sem que se revele empenho no combate à corrupção e ao esbanjamento de dinheiros
públicos, recusando, muitas vezes, o escrutínio político, outras, pondo em causa a ação dos Tribunais, revela-se a total
ausência de respeito pela dignidade daqueles e falta de sustentabilidade
democrática do regime.
A Falência sucessiva de entidades bancárias e na estrutura empresarial
em geral, acompanhada de declaração de impotência das autoridades de supervisão,
deixa os cidadãos, empregados e empregadores, entregues à sua sorte, ao
instinto, à perspicácia, à permanente incerteza da retribuição do seu trabalho,
do qual, o Estado, indiferente, a bem ou a mal, não se dispensa de colher os seus frutos. Um
ambiente de terrorismo económico e fiscal que, a persistir, acabará, mais tarde
ou mais cedo, num baixar de braços generalizado.
Aumentar continuamente a idade da reforma introduzindo simultaneamente crescentes dificuldades ao exercício das profissões, conduzindo à exclusão profissional e social precoce dos cidadãos, revela profundo cinismo, oculto poe pretextos múltiplos, como os da produtividade e da proteção ambiental.
Aumentar continuamente a idade da reforma introduzindo simultaneamente crescentes dificuldades ao exercício das profissões, conduzindo à exclusão profissional e social precoce dos cidadãos, revela profundo cinismo, oculto poe pretextos múltiplos, como os da produtividade e da proteção ambiental.
Julgo que já se disse tudo sobre as causas dos incêndios; aumento das
temperaturas máximas, abandono rural, ação criminosa, insuficiência de meios de
prevenção e combate, errado planeamento e gestão florestal, resistência ao estabelecimento de centrais a biomassa, etc. Adivinha-se nova escalada de constrangimentos para os proprietários,
em grande parte, vítimas da incúria do Estado na sua obrigação de proteção de
bens, mas também do ódio ancestral de alguma classe política, que,
pacientemente, aguarda, há décadas, o momento de novos avanços pela coletivização
da propriedade.
Tenho porém, para mim, que, uma das causas remotas do abandono do interior se
deveu à revolução liberal - 1820 a 1834 - na sua sanha de aniquilamento da
aristocracia, que sustentava o antigo regime, expropriando-lhe o património ou
eliminando-lhes a possibilidade de preservação do mesmo, abolindo a lei do
morgadio. Com as sucessivas gerações, a propriedade rural, em geral, tornou-se economicamente
inviável. Inevitável o abandono.
Mas também a Revolução Industrial, ainda em curso; a compulsão do
desenvolvimento tecnológico e da produtividade, a industrialização da
produção alimentar e a produção agrícola intensiva, a predominância
da economia dos serviços, constituem as causas mais remotas e persistentes do
fenómeno.
A dinâmica económica europeia atual, por vezes, remete ao paradigma
futebolístico; daquelas equipas que têm um ataque exuberante e uma frágil
defesa. Avançada tecnologia e abandono do mundo rural, conduzindo-nos à
reavaliação da importância da fisiocracia.
Mais importante que a riqueza monetária de
uma nação é a preservação da dignidade das suas gentes. Do património humano. E isso é, tão-somente,
uma questão de cultura. E são as elites, acima de todos, que têm a
responsabilidade de a demonstrar, pela sua ação e omissão. E é aqui que o
atual regime falhou rotundamente apesar de todas as "juras" de amor à Liberdade.
Peniche, 13 de Agosto de 2017
António
Barreto
terça-feira, 8 de agosto de 2017
A Ameaça Vermelha; Alberto Gonçalves, (Matéria-Prima Edições)

Pensando tratar-se de um ensaio sobre o socialismo na Europa atual, e, especificamente,
no Portugal de hoje, e, porque aprecio o estilo da escrita de Alberto
Gonçalves, adquiri a “A Ameaça Vermelha”. Foi, por isso, algo desapontado,
que “ataquei” a obra que consiste, afinal, numa mera compilação de crónicas
avulso publicadas na imprensa, algumas das quais, até já tinha lido.
No seu estilo sarcástico, contundente e algo temerário mas corajoso,
Alberto Gonçalves revela todo o seu ceticismo pelas consequências que poderão
advir para o país pela fórmula política que sustenta o atual Governo. Considerando o socialismo uma via para o
empobrecimento e ausência de Liberdade, ao serviço de elites pseudointelectuais
e partidárias que nada mais pretendem além de poder a qualquer custo -
convicção que partilho -, Alberto Gonçalves, exprime, de forma por vezes
grosseira, um enorme desprezo pelo atual Primeiro Ministro e pelos líderes dos
partidos que apoiam o seu Governo.
“É isto: em pleno século XXi, como se costuma dizer, a mera propriedade
privada ainda é um assunto delicado na sociedade portuguesa. Por muito que
adoremos derrubar tabus, e que qualquer dia se derrubem os interditos ao
incesto e ao bestialismo, está para durar o tabu de cada um ter direito ao que
adquiriu mediante trabalho, herança ou sorte.”
Peniche, 08/08/2017
António
Barreto
quarta-feira, 19 de julho de 2017
O Estrangeiro (Albert Camus)
Albert Camus é um escritor que trago "atravessado" desde o tempo da minha passagem por Cape Town, quando o Director local da Alliance Francaise, no decurso de uma espécie de exame aos meus conhecimentos da língua francesa, me falou dele. Com o passar do tempo, percebi que se trata de um dos mais importantes escritores contemporâneos de idioma francês.
Talvez o prefácio de Jean Paul Sarte seja mais valioso do que a obra em si mesma. Esta, na minha insignificante opinião, parece-me constituir um eficaz meio de aprendizagem para aspirantes a escritores: Capítulos pequenos, frases curtas, termos simples, profusão de vírgulas criteriosamente colocadas, eficácia na transcrição das citações ou diálogos. História de um personagem "sem história", a quem a vida corria pachorrentamente, sem ambições nem sonhos, limitando-se à observação do quotidiano e a deixar-se ir pelo acaso. A aparente serenidade com que aceitou a morte da mãe, decorrente do estranho reconhecimento de que nada mais tinham a dizer um ao outro, a ausência de amor a Maria, apesar do relacionamento íntimo que mantinham, a complacência, ou resignação, ou a indiferença com que aceitava o seu casamento com ela, mostra um personagem incapaz de afetos vinculativos, profundos, ou sequer, ódio - o assassínio do Árabe, que o condenaria à morte, foi, sobretudo, motivada pelo acaso; medo e descontrolo. Apesar de tudo isto, só uma convicção o habitava; a inutilidade da Fé como meio de alívio do medo que sentia pela proximidade da morte. Pelo meio, descreveu com mestria e sensibilidade o meio envolvente, em especial, os episódios passados à beira-mar com Maria quase nos fazendo-nos, partilhar da quietude e fascínio do mar. Salamano e o seu cão representam uma excelente metáfora do absurdo quase comovente; em permanente guerra com o cão, já sarnoso, o solitário Salamano, que há muito perdera a mulher, não podia passar sem ele, sofrendo imenso com o seu desaparecimento.
Que nos quis dizer Camus? Não sei!, Num estilo quase maniqueísta, binário; sim, não, talvez que o nenhum tipo de amor é suficientemente importante para viver; ou, simplesmente, que não vale a pena viver. No entanto, quando submetido aos rigores da prisão, percebeu que bastaria um dia de vida para "sustentar" cem anos de cárcere. Um aparente paradoxo; por um lado, para Camus, um dia de vida parece igual a décadas de vida, significando total ausência de espectativa, por outro, num dia de vida conseguia vida para cem anos, indiciando inusitada capacidade de disfrutar dela, dos seus infinitos cambiantes e detalhes, decorrente, afinal, da privação da liberdade, ou seja, da drástica restrição de vida.
Introdução de Sartre:
Camus somente propõe e não se inquieta com justificar o que, por princípio, é injustificável.
A arte é uma generosidade in útil...
...por debaixo dos paradoxos de Camus encontro algumas avisadas observações de Kant com respeito à "finalidade sem fim do belo".
Citando Camus no "Mito de Císifo": Um homem é mais um homem pelas coisas que cala do que pelas coisas que diz.
É que, o silêncio, como diz Heiddegger, é o modo autêntico da palavra. Só se cala aquele que pode falar.
Para Camus o drama humano é, ao invés, a ausência de toda a transcendência: "Não sei se este mundo tem um sentido que me ultrapassa. Mas sei que não conheço esse sentido e que, de momento, me é impossível conhecê-lo.
De O Estrangeiro:
Compreendi então que um homem que houvesse vivido um único dia, poderia sem custo passar cem anos numa prisão. Teria recordações suficientes para não se maçar. De certo modo, isto era uma vantagem.
A mãe costumava dizer que nunca se é completamente infeliz. Mesmo na prisão continuava a concordar com ela, quando o céu se coloria e que um novo dia entrava na minha cela.
Não há, no fundo, nenhuma ideia a que não nos habituemos.
Também eu me sinto pronto a tudo reviver. Como se esta grande cólera me tivesse limpo do mal, esvaziado da esperança, diante desta noite carregada de sinais e de estrelas, eu abria-me pela primeira vez à terna indiferença do mundo.
Peniche, 19/07/2017
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